Deserto esculpido pela natureza
Um imenso paredão adiante no horizonte. Lá está o tão falado Grand Canyon. É só ultrapassar a barreira e atingir o deserto escarpado. Talvez seja o momento mais emocionante do passeio. Quando o helicóptero passa pela Represa Hoover e cruza a fronteira de Nevada com o Arizona, todas aquelas imagens estereotipadas vêm à cabeça: terra de Malboro, índios, Velho Oeste, montanhas áridas.
A música que sai do radiofone da aeronave da Papillon contribui para o clima de comitiva. Mas a comitiva do século 21 tem hélices em vez de patas. A descoberta de uma terra nova não assusta, encanta os visitantes.
No lago da represa construída pelo homem na década de 30 para gerar luz à região e evitar inundações na Califórnia , barcos cruzam com jet skis, numa praia improvisada de um azul intenso.
Segurem-se. Pequena turbulência. O helicóptero dá uma puxadinha de leve para baixo. Estamos no meio das paredes desenhadas pela natureza. O Rio Colorado corre manso lá embaixo. A paisagem é seca e imponente.
Parada estratégica para repor o combustível. O calor lá fora é insuportável. Se em Las Vegas a umidade é baixa, imagine ali. Ok, todos de volta a seus lugares. Ué, cadê o tal piquenique? Não vamos tirar fotos no cânion? O pensamento é subitamente interrompido pela contagem regressiva do piloto: ''Preparem-se! Um, dois, três!'' Uma guinada, e estamos descendo num rasante dentro do Grand Canyon. Adrenalina pura, beleza pura. O medo é imediatamente suplantado pela magnitude da visão.
Os estômagos mais frágeis reclamam e lotam os saquinhos de emergência. Melhor comer pouco antes de embarcar. Assim, além de evitar possíveis enjôos, guarda-se espaço para o lanchinho cinco-estrelas no local de parada.
Há dois tipos de passeios ao Grand Canyon. Um é o sobrevôo, que dura cerca de uma hora e meia. E o que inclui a descida no cânion, com direito a comes e bebes e duração total de três horas, em média. Os dois são caríssimos. O mais simples não sai por menos de US$ 250 por pessoa, e o completo, no mínimo US$ 300.
Entretanto, se o tempo em Vegas for curto e a sorte ajudar no blackjack, vale o investimento. É a garantia de voltar para a civilização se sentindo um desbravador depois de brindar com champanhe a essa maravilha que o homem não construiu.





