Simone Mattos
De Curitiba
Fenômeno de vendas, o jornalista e escritor espanhol J.J. Benítez está nesta semana em turnê pelo Brasil. Autor da série ‘‘Operação Cavalo de Tróia 1, 2, 3, 4 e 5’’ – que esteve durante 170 semanas nas listas dos livros mais vendidos do País, resultando na comercialização de um milhão e meio de exemplares – ele lançou em Curitiba o sexto livro da série, além de sua nova obra ‘‘A 33.000 Pés’’ (ambos pela Editora Mercuryo). Na ocasião, Benítez respondeu por e-mail, objetivamente, às perguntas feitas pela Folha2.
Negando a sua fama de escritor ousado, que combate a visão de Deus pregada pela Igreja, Benítez garante que não é polêmico e nem busca tal fama. Contrariando suas próprias palavras, entretanto, ele declara que se você não dispuser de uma mente aberta, não deve ler ‘‘Operação Cavalo de Tróia 6 – Hermon’’ (457 página, R$ 40,00). ‘‘Suas crenças se desequilibrarão’’, justifica.
No livro, situado na Palestina do ano 25, Benítez apresenta capítulos da história de Jesus Cristo que foram supostamente silenciados pelos evangelistas.
Para aprofundar-se na história de Jesus e escrever este sexto volume, o autor isolou-se por exatos 111 dias para realizar uma ampla e minuciosa investigação. Segundo ele, depois da morte e ressurreição, Cristo apareceu para centenas de testemunhas em 19 ocasiões, ‘‘muito mais do que as aceitas pela Igreja Católica’’.
O livro também aborda uma possível divisão entre os discípulos, que nunca teria sido comentada pela Igreja, a polêmica da concepção de Cristo e a percepção de sua divindade. Tais fatos deixam claras as suspeitas do autor sobre possíveis manipulações de informações também na vida pública de Jesus.
O primeiro livro da série se situa no ano 30, em Jerusalém, durante a celebração da Páscoa Judaica. Nos quatro livros seguintes, o autor detalha melhor as suspeitas levantadas inicialmente, de que os evangelistas não contaram a verdade, de que a mensagem e os fatos que Jesus protagonizou aparecem incompletos, quando não modificados, em relatos oficiais.
A obra ‘‘A 33.000 Pés’’, também recém-lançada, é um diário de viagem pelo continente sul-americano, em que J.J. Benítez reproduz suas conversas com um enigmático Deus que é surdo, não entende o mal, rechaça a ortodoxia e afirma que, no outro lado, todos são ‘‘alcoólatras’’ do amor.
Você é um escritor que combate a Igreja e aborda temas que nem sempre são enfocados por outros veículos de comunicação. Este seria o motivo da excelente vendagem de seus livros?
Não, porque não sou polêmico. Nem a busco. Vendo muito porque as obras encerram algo muito especial.
Suas obras são baseadas num profundo trabalho de pesquisa. De que forma isto vem sendo realizado?
Investigando durante anos, todos os dias.
O Brasil é um país bastante religioso, mas, mesmo assim, suas obras são grande sucesso. Você nunca teve problemas com a Igreja ou autoridades brasileiras?
Até agora não.
Sua obra não se reestringe aos Cavalos de Tróia ou Ovnis. Você se considera um novo Júlio Verne?
Não, porque não viajo com a imaginação, como ele fazia. Simplesmente viajo. Júlio Verne era um mestre.
Até onde irá a série ‘Operação Cavalo de Tróia’? Quais são seus próximos projetos?
Falta contar a vida pública de Jesus de Nazaré. Não sei quantos livros ainda escreverei.

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