São Paulo A história se repete regularmente: chega o período de férias escolares e o setor de desembarque internacional de passageiros do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, dependendo do horário, transforma-se no caos. Não saber para onde ir é o maior drama dos cerca de 4 mil passageiros que, todos os dias, retiram suas malas das esteiras entre 6 e 9 horas, horário de maior concentração dos vôos vindos do exterior.
Vale tudo para ser o primeiro a passar pelo controle da Receita Federal, último estágio da maratona, e ganhar, finalmente, a área externa. A gerência de operações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), responsável pelo serviço, prometeu, depois de consultada pela reportagem, providenciar ''melhorias a curto prazo''.
A primeira imagem do País para um estrangeiro que chega por Cumbica nessa hora de movimento intenso é a pior possível. E a razão é simples: não há ninguém para orientar a formação de fila ou mesmo divisórias de fluxos, para conduzir os passageiros das proximidades das esteiras até o único fiscal da Receita escalado para receber as declarações de bagagem.
Mais do que os cerca de 30 ou 40 minutos que o passageiro, exausto após uma noite no avião, perde apenas para deslocar-se pelos 40 ou 50 metros da esteira ou do Free Shopping ao controle da Receita, é o constrangimento a que deve se submeter. A ausência de disciplina torna cada metro avançado uma vitória do passageiro.
''Já vi até brigas por causa disso em Cumbica'', diz o jornalista Reginaldo Leme, da TV Globo, usuário frequente do aeroporto por cobrir as provas de Fórmula 1. ''Nunca vi um funcionário ali para organizar a fila, é incrível.''
O empresário Marcos Santos, de Manaus, que também vai ao exterior com regularidade, lembra que o ''desrespeitoso tempo perdido nesse procedimento'' compromete por vezes sua primeira conexão entre São Paulo e a capital do Amazonas.
''É uma barbaridade o que acontece em Cumbica depois de retiradas as malas da esteira'', define José Carlos Brunoro, diretor da Brunoro e Coco Sport Business, empresa de marketing na área esportiva, viajante contumaz. ''É um inferno, uma fila sem dono. Cada um entra nela, de acordo com sua esteira de bagagem'', diz. ''A solução é simples. Basta haver divisórias de fluxo e mais de um fiscal da Receita para receber as declarações.''
Mundo - Na maioria dos aeroportos de cidades importantes do mundo há filas para os vários procedimentos normais dos passageiros, após o desembarque. Começa pela inspeção da polícia, responsável pelo controle da documentação, e depois pela verificação da bagagem, caso haja algo a ser declarado ou para os passageiros escolhidos por amostragem.
Cumbica segue o padrão mundial. Há duas filas para os que chegam ao terminal, organizadas pela PF: uma para brasileiros, outra para estrangeiros. Ambas orientadas por divisores e, ainda que por vezes sejam lentas, como em outras nações, são respeitadas.
Uma vez liberados pela PF, até que se apresentem à Receita, para o controle da bagagem, os passageiros usam os serviços da Infraero. É aí que estão maiores dificuldades para quem chega por Cumbica.

mockup