''Não importa onde, mas pediria com urgência ao Papai Noel a construção do sonhado Teatro Municipal de Londrina. Não necessitamos de uma obra faraônica, e, sim de salas adequadas, devidamente equipadas, para que se possa cumprir a magia da arte.
Mas isso não aconteceu por falta de talento e luta, muito pelo contrário. A história do teatro londrinense é linda e cheia de coragem. No final dos anos 50, nascia o Grupo Permanente de Teatro (GPT), que já naquela época reivindicava um teatro municipal.
Nos anos de chumbo, Londrina respondia à repressão cultural criando o Festival de Teatro Universitário. Nos anos 70 e 80, nem os rivais e internacionalmente premiados Delta, do professor José Antonio Teodoro e Proteu, de Nitis Jacon, despertaram interesse na construção de um teatro para a cidade
Em meados da década de 80 e início de 1990 a cidade chegou a abrigar mais de 20 grupos. O movimento teatral transformou Londrina em ponto de referência na área. A cidade possui hoje a Escola Municipal de Teatro e um curso superior de Artes Cênicas. E, além do mais, Londrina tem o mais antigo festival de teatro independente do país, o FILO, e também um Programa Municipal de Incentivo à Cultura, que profissionalizou e aumentou a necessidade de novos palcos.
O Cine Ouro Verde, que nos anos 70 foi transformado em teatro, o Zaqueu de Melo - antigo Fórum -, e muitos outros, têm o seu mérito, mas não atendem a carência de espaços cênicos (equipados). E, teatros de instituições privadas não estão ao alcance do artista londrinense devido aos custos elevados.
As promessas até hoje foram muitas, mas nem mesmo o movimento teatral de Londrina sensibilizou as autoridades responsáveis. Entrou prefeito e sai prefeito, os discursos foram muitos, mas o fato é: o teatro ainda não veio!''
João Henrique Bernardi é diretor da Cia. de Theatro Fase 3, que recentente emocionou o público londrinense com a peça ''A última carta de amor do Século XX''

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