‘‘‘Só conquistamos aquilo que sabemos desejar com ardor’ - disse Goethe, e se o excelso mestre fosse vivo eu lhe diria: Procurei com ardor um elo que me unisse ao meu povo. Tivestes razão. A hora feliz passou por minha vida.’’
Essa afirmação de Frederico Lange de Morretes permite imaginar o que significou para o irrequieto inquisidor dos temas da arte e da ciência, o triunfo conquistado a custa do seu talento e perseverança. Era provocante o estudo, a afligir seu pensamento, e de Ghelfi e Turin. Desejavam sair do campo empírico e aplicar ‘‘métodos científicos’’ para uma representação artística do pinheiro.
Centenas de pinhões foram estudados em suas proporções, - relata Lange, em precioso documento, - ‘‘até que uma bela noite me foi dado fixá-los numa fórmula geométrica, saindo assim do empirismo em que até então se encontrava a nossa ornamentação paranista. Finalmente tinha conseguido o que, a meu ver, era de utilidade imediata. De posse do segredo, desdobrei a fórmula para forma plana e ornamentei-a com a caruma, obtendo assim a sequência que fornecia os elementos para serem aplicados nos mais diferentes ramos da arte aplicada.’’
‘‘Há sementes que não brotam ao cair da primeira chuva. Levam tempo. Assim a estilização do pinheiro não nasceu, da noite para o dia. Turin matutou muito, eu não menos. No começo nossos trabalhos tinham sido empíricos. Turin, como escultor, dedicou-se à fatura de capitéis. Eu como pintor e desenhista, conhecendo as artes gráficas, encaminhei-me para o problema pictórico e o lado ilustrativo.’’
No texto, Lange pondera que quando um artista paranaense está só, pensa no pinheiro; quando está em companhia de outro artista, fala do pinheiro; e quando os artistas reunidos são mais de dois, discutem sobre o pinheiro. ‘‘Não era de estranhar a conversa ter se encaminhado para o pinheiro. Discutíamos as suas qualidades, as suas dificuldades e as suas novas possibilidades para o campo da arte.’’

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