Curitiba, 1964. O Cine de Arte Riviera, localizado nas proximidades do Teatro Guaíra, exibe o clássico ‘‘Um Corpo que Cai’’ (Vertigo), de Alfred Hitchcock. Todos os espectadores, na entrada, recebem um texto assinado pelo crítico Lélio Sotto Maior Jr., o ‘‘Vertimagem’’, que traduz a obra numa linguagem simples e dinâmica.
Este foi o começo de uma história que se estende até hoje. O crítico curitibano, que atua como colunista da Folha, é um grande admirador do estilo hitchcochiano de fazer cinema, o que o tornou um pesquisador e estudioso sobre o mestre do suspense.
‘‘Ele é o meu cineasta favorito e, para mim, ‘Vertigo’ é o melhor filme da história do cinema’’, afirmou.
Sotto Maior lembra com muita emoção de quando o então proprietário do Cine de Arte Riviera, José Augusto Iwersen, tomou a iniciativa de reproduzir o texto assinado por ele. ‘‘Mais de 500 pessoas o receberam, durante toda a temporada de exibição’’, comentou. Cerca de 25 anos depois, o mesmo texto foi reeditado pela publicação cultural Nicolau, já extinta pela Secretaria de Estado da Cultura.
Durante todos estes anos, o crítico estudou e reviu grande parte das mais de 50 obras do cineasta americano. ‘‘Os Pássaros’’, ‘‘Janela Indiscreta’’ e ‘‘Um Corpo que Cai’’, por exemplo, foram vistas mais de dez vezes cada.
Ele não se considera um fã dos mais exagerados, principalmente quando se compara com o cineasta Martin Scorsese, outro admirador confesso de Hitchcock. ‘‘Ele declarou numa entrevista que assiste ‘Vertigo’ e ‘Os Pássaros’ todos os dias’’.
Na opinião de Sotto Maior, Hitchcock tem a maior técnica e domínio de imagens entre todos os cineastas do mundo. Ele reclamou do preconceito existente por parte da crítica e do público, em relação aos cineastas americanos.
‘‘Há uma teoria sem fundamento de que só o cinema europeu teria importância cultural e artística’’. Ele defende a idéia de que os americanos também sabem fazer cinema com grandeza.
Até hoje o crítico não esquece, por exemplo, de quando assistiu ‘‘Os Pássaros’’ pela primeira vez, no Rio de Janeiro, em 63. ‘‘Foi um impacto avassalador’’, lembrou.
Embora o considere único, Sotto Maior arrisca comparar um cineasta da nova geração à Hitchcock. ‘‘O que mais se aproxima é Brian de Palma, especialmente no filme ‘Dublê de Corpo’ ’’, declarou. (S.M.)

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