São Paulo, 21 (AE) - Anna Bárbara Xavier tem 1,75 cm e é chamada de Babi porque nasceu "mirradinha", há 24 anos. Os pais separaram-se quando tinha 14 anos, dormiu na casa do namorado aos 17, foi dar aulas de inglês aos 18, entrou na faculdade de Letras aos 19, abandonou aos 20, casou-se aos 22 e foi ganhar dinheiro nas passarelas. Virou modelo, depois atriz. Cursou teatro, atuou numa novela das oito da Globo e há cinco meses estreou na apresentação do "MTV Erótica". Missão: sentada numa cama redonda deve dar conselhos sexuais, ao vivo, a telespectadores que telefonam e mandam e-mails de todo o Brasil.
Sexo, nunca estudou. "Meu conhecimento não é tanto", avisa, tímida. "Nem daria tempo, só tenho 24 anos." Não é nem quer ser sexóloga. Talvez por isso, segundos antes de o programa entrar no ar ela reclame de uma taquicardia. Sabe que adolescente pergunta o que lhe vem à cabeça. Para socorrê-la, mais ao lado, numa cadeira, está o psiquiatra Jairo Bouer, de 33 anos, há seis trabalhando com adolescentes.
O programa entra no ar e, de cara, um telespectador dispara o primeiro torpedo, por telefone: "Estou transando com a namorada de um amigo porque ela não aguenta mais o cara que, de uns tempos para cá, só sente prazer vestido de mulher." E emenda: "Devo contar para o meu amigo ou sair fora?" Babi não se embaraça: "Fantasia é bom quando os dois topam e, nesse caso
parece que ela não está nem um pouco a fim e já caiu na sua."
Suas respostas misturam o bom senso com uma linguagem coloquial. Ainda não ocorreu, mas diz que estará pronta se algum engraçadinho telefonar com o propósito de bagunçar o programa. "Tenho o direito de ficar constrangida e, se for o caso, posso falar: Í babacão, desliga esse telefone", avisa. "Sou canceriana, mas sei ser contundente."
Em todos os programas Babi recebe um convidado famoso, que entra no segundo dos quatro blocos da atração. Deitado ou sentado ao lado de Babi numa cama redonda, o convidado fala de seu trabalho e também se expõe às perguntas do público. Dia desses, Joana, que faz a Feiticeira do programa "H" sentou-se na cama e recebeu logo a pergunta: "Qual a sua posição preferida para transar?" Babi assumiu o que chama de seu lado "mãezona" e disse para o garoto não pegar tão pesado logo de cara.
Babi já recebeu, entre outros, a apresentadora da Bandeirantes Cléo Brandão, mais recente capa da "Playboy", a modelo e apresentadora de TV Monique Evans, o pagodeiro Vavá, do grupo Karametade e o jogador de vôlei Lilico.
Curiosidade - Babi não esconde que desde que o "MTV Erótica" estreou ela passou a ler mais sobre sexo. Não livros teóricos, mas reportagens de comportamento. "Tenho mais curiosidade sobre o assunto, procuro ler o máximo", diz.
Por um ponto eletrônico, a produção avisa a Babi que tem mais uma ligação no ar. É um rapaz de 26 anos reclamando que tem o pênis pequeno e que, por causa disso, já havia pensado em virar gay. Babi sobe nas tamancas: "Meninos, vamos parar com essa coisa de achar que o pênis tem de ser grande!" E continua: "Tem muita mulher que não gosta daquela coisa machucando, sabia?" E sugere ao rapaz: "Porque você não coloca um anúncio nos nossos classificados procurando uma mulher que goste de homens como você?"
A metralhadora de perguntas continua com os jovens que participam do programa dentro do estúdio. Dia desses estavam lá Heros, de 21 anos, Cláudio, de 19 anos, Laura, de 18, Dani, de 21, e Marcelo, de 23. Eles se dizem fãs do programa porque é um espaço para tirar dúvidas o que, geralmente, não têm em casa. "Os pais estão muito desatualizados, não acompanharam a evolução da nossa geração", diz Dani. Laura diz que tem de ver o programa escondida da avó. "Ela acha que a conversa é muito direta", conta. "Mas já a peguei assistindo."

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