Durante as três primeiras horas de caminhada, todos os dias, a diversão do professor de educação física de Londrina, Ronaldo José Nascimento, de 42 anos, era ouvir seu companheiro cantar ‘‘todas as músicas que conhecia’’. Ele percorreu o caminho português em julho do ano passado com o também professor José Henrique dos Santos. ‘‘Alguns caminham calados, outros cantando, e o interessante é que mesmo sendo o mesmo caminho, ele é sempre diferente para cada pessoa’’, diz.
Percorrer o caminho até Santiago significou para Nascimento um aprendizado. ‘‘Todo caminho é uma questão de fé e no meu caso significou aprender a ser uma pessoa mais organizado, com mais objetivos. Enquanto a gente anda, aprende a se conhecer melhor e a não ficar olhando para trás, o que ficou, ficou...’’, afirma.
Além da fé e da mística, novos amigos de outros países e continentes foram o maior ganho desse professor. ‘‘É incrível como as pessoas, mesmo não falando a mesma língua, fazem amizades e se ajudam entre si. Conheci pessoas do mundo inteiro’’, conta. De acordo com ele, os peregrinos costumam se identificar com a bandeira de seu país afixados na mochila.
A próxima aventura já está sendo programada por Nascimento. Desta vez o objetivo é percorrer o caminho francês, com todos os seus 737 quilômetros de extensão. ‘‘Hoje estou em muito mais condições de fazer o caminho francês. A gente aprende a dosar as coisas e que, por mais que as pessoas queiram resultados rápidos, não é possível fazer o ‘caminho’ em apenas um dia’’.

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