A horta tem sido um lugar especial para os alunos da escola, que não escondem a ansiedade em vê-la com canteiros carregados de legumes e hortaliças
A horta tem sido um lugar especial para os alunos da escola, que não escondem a ansiedade em vê-la com canteiros carregados de legumes e hortaliças



"A pétala do girassol é comestível". "Essa não precisa de água todos os dias". "Aquela planta se chama espada-de-são-jorge". "Nem todos os restos de alimentos podem ir para a composteira".

A oficina de educação ambiental na qual participam 25 alunos da Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti (zona oeste), tem rendido bons frutos. O projeto intitulado "Pesquisa em hortas e jardins" surgiu há três anos, integrando as 14 oficinas que constituem a ampliação de jornada da escola.

O objetivo principal é que os estudantes do 3º ao 5º ano, aprendam temas ambientais na teoria e na prática, desenvolvendo o gosto em descobrir a ecologia e a natureza presentes no dia a dia.

Para isso, a professora Marta Gomes de Sousa tem como ponto de partida os livros, revistas, jornais e a internet. "A ideia é que eles desenvolvam o senso de pesquisa. Ao iniciarmos um tema, fazemos uma busca sobre o plantio e o cultivo e partimos para a prática. O trabalho é basicamente pautado na observação e experimento", afirma.

Um exemplo foi o plantio de tulipa em vasos. A aluna Maria Eduarda Silva Zaramella, do 5° ano, conta que no primeiro vaso, foi 'plantado' um ovo inteiro junto com a muda e no segundo, somente a casca. "O resultado foi que no vaso do ovo inteiro a planta cresceu muito mais, está mais viva", responde.

Com isso, a turma aprendeu que o ovo funciona como um fortificante. Esse entendimento dá ainda mais sentido ao trabalho de compostagem que eles vêm realizando desde o segundo semestre de 2016.

Por enquanto, toda a matéria orgânica produzida na composteira é utilizada no plantio de flores e plantas para o jardim
Por enquanto, toda a matéria orgânica produzida na composteira é utilizada no plantio de flores e plantas para o jardim | Foto: Fotos: Anderson Coelho



"Quando eu entrei na oficina eu não sabia o que era uma composteira. Agora sei que os restos de alimentos aqui da escola ou em casa mesmo, podem virar adubo", conta Gustavo Jauberti da Silva, do 4° ano.

No ano passado, alguns alunos entrevistaram as cozinheiras da escola para saber como era o descarte dos restos e cascas de alimentos. Eles acabaram descobrindo que muito do que ia para o lixo, poderia ser reaproveitado.

"Elas passaram a separar as sobras e tudo que é possível agora vai para a composteira. Quando eles veem o processo de decomposição dos alimentos, o interesse no tema aumenta", comenta Sousa, que trabalhou em conjunto com a professora Vera Honda.

Hoje, toda a matéria orgânica produzida na composteira é utilizada no plantio de flores e plantas para o jardim e em breve, o adubo também será destinado à horta, nos fundos da escola.

Segundo a coordenadora das oficinas, Ana Carolina Chanan Silva, está programado um mutirão de revitalização da horta com a comunidade local. "Vamos plantar cenoura, almeirão, temperos, ou seja, alimentos que usaremos no preparo da merenda", destaca.

A horta é um lugar especial para os alunos do 4° ano, Bianca Francisca da Rocha Ferreira e Tiago Fraches Simonetto. Eles estão animados com a ideia de vê-la carregada de legumes e hortaliças. "Nós já temos chuchu, que é gostoso e tem um brotinho bem bonito, olha", aponta a estudante, enquanto Simonetto revela que "mexer com a terra é uma das atividades que mais gosto na escola."

Outra experiência com os alunos envolveu as plantas suculentas e girassóis. Cada aluno fez o plantio e pesquisou sobre as espécies. Assunto que agradou a aluna Emilly Pereira dos Santos Marques, do 5° ano. "Aprendi que quando cai a folha de uma suculenta, ela cresce de novo. É só deixar no vaso com essa parte para baixo", mostra.

Além da horta, outra atividade programada com os alunos da oficina é a criação de um orquidário e uma maquete de casa sustentável. "Eles estão aprendendo a aproveitar a água da chuva, a fazer lâmpada de garrafa pet, montar um telhado verde, entre outros. Eles precisam despertar a consciência para o futuro, sendo sustentáveis em todos os sentidos e aprendendo a reutilizar aquilo que for possível", completa Sousa.

A pesquisa é o ponto de partida para cada tema, tendo a internet, revistas e jornais como fonte de informações sobre o plantio e o cultivo
A pesquisa é o ponto de partida para cada tema, tendo a internet, revistas e jornais como fonte de informações sobre o plantio e o cultivo



OFICINAS
Ao todo, são 14 oficinas ofertadas no período vespertino, para 70 alunos do 3° ao 5° ano que estudam pela manhã. Além da pesquisa em hortas e jardins, os estudantes têm autonomia para escolher outros temas, como o inglês, futsal, sombra e água fresca, ética e cidadania, vôlei, balé, badminton, recreação, xadrez, percussão, tênis de mesa e #mundo (temas culturais e de atualidades).

"Os alunos que frequentam as oficinas têm a oportunidade de descobrir uma aptidão, uma afinidade com um determinado tema e ainda adquirem uma bagagem diferente para assimilar determinados assuntos em sala de aula, pois elas só aprendem, fazendo", ressalta a diretora Silvana Aparecida Alves Morais.

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