André Bernardo
TV Press
O nome da atriz Camila Pitanga já diz tudo. Segundo o Aurélio, pitanga é uma palavra que vem do tupi e significa fruta agridoce e bastante saborosa. Por coincidência, essa fruta tipicamente brasileira emprestou o nome a uma atriz que, desde que surgiu na tevê em 1993, quando participou da minissérie ‘‘Sex Appeal’’, tornou-se musa graças à exuberância de suas formas. Não por acaso, o diretor Guel Arraes escolheu essa carioca de 22 anos para interpretar a índia Paraguaçu, a síntese da mulher brasileira e a protagonista da microssérie ‘‘A Invenção do Brasil’’. Dividida em quatro capítulos e prevista para ir ao ar em abril de 2000, ‘‘A Invenção do Brasil’’ presta homenagem aos 500 anos do Descobrimento.
A microssérie está sendo escrita por Jorge Furtado a partir da vida de Diogo Álvares Correia, náufrago português que viveu na Bahia e ficou conhecido por Caramuru, nome de um peixe das costas brasileiras. Durante uma viagem rumo às Índias, Diogo naufragou nas costas da Baía de Todos os Santos, em 1510. A partir de então, passou a viver entre os nativos e chegou a auxiliar o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, na fundação dos primeiros estabelecimentos e na catequização dos índios. Segundo Camila, ‘‘A Invenção do Brasil’’ vai enfocar, principalmente, o inusitado caso de amor entre Caramuru, personagem interpretado por Selton Mello, e a índia Paraguaçu, filha de um dos chefes tupinambás.
A composição da personagem não vai ser nem um pouco realista. Para interpretar a sensual Paraguaçu, Camila Pitanga não vai ter de recorrer a aulas de tupi-guarani ou de arco e flecha. Pelo contrário. A fonte de inspiração da atriz, no momento, se resume a dois clássicos da literatura nacional: ‘‘Macunaíma’’, a saga do ‘‘herói sem caráter’’ escrita por Mário de Andrade, e ‘‘Gabriela, Cravo e Canela’’, obra-prima do escritor baiano Jorge Amado. ‘‘Paraguaçu tem uma malícia que é própria da mulher brasileira’’, frisa.
A empolgação de Camila Pitanga com a microssérie ‘‘A Invenção do Brasil’’ é indisfarçável. Afinal, não é de hoje que a atriz sonha em trabalhar com o diretor Guel Arraes. Quando criança, ela não perdia um episódio sequer do seriado ‘‘Armação Ilimitada’’. O tempo passou e a admiração da atriz aumentou na proporção em que assistia a ‘‘TV Pirata’’ ou a ‘‘A Comédia da Vida Privada’’. ‘‘Infelizmente, não assisti a tudo o que ele fez, mas já me considero fã de carteirinha’’, derrama-se. O envolvimento com o projeto é tanto que Camila Pitanga ainda não parou para pensar que vai ser seu primeiro papel cômico na tevê. Mesmo assim, ela não parece assustada com a nova empreitada. ‘‘Eu só tenho a comemorar com isso. Afinal, sou atriz e tenho de mostrar versatilidade’’, argumenta.
Para tanto, Camila Pitanga não descuida das aulas que frequenta no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio. Ao contrário de muitos atores que, desde cedo, se deslumbram com a fama, a atriz resolveu investir na área acadêmica. Aluna do 6º período do Curso de Teoria Teatral, ela se diz apaixonada pelos estudos, ressalta que não pensa em abandonar os livros tão cedo e avisa que, já no próximo ano, estréia como produtora teatral do espetáculo ‘‘Os Conquistadores’’, baseado no original do inglês Thomas Hardy. ‘‘Se eu não fosse disciplinada, já teria enrolado o meio-de-campo’’, diverte-se.

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