Os europeus vão descobrir uma nova música brasileira nas próximas semanas. O Quarteto Descobertas, liderado pelo londrinense Roney Marczak, embarca no dia 15 em uma turnê pela Suíça e Itália, em um total de seis apresentações.
O grupo, composto por Marczak no violino, Mateus Gonsales ao piano, Jorge de Sousa no contrabaixo e Marcello Casagrande na percussão, foi formado há quatro anos com o intuito de trazer novos ares ao cenário musical, executando com técnica e precisão um repertório mais popular. ''Há quem pense que é fácil tocar música popular. Mas é preciso ter um domínio muito grande da técnica para conseguir diversificar dessa forma'', ressalta Marczak.
O convite para as apresentações partiu da escola de música suíça Wohlen, que tem parceria com a escola de Marczak, Sol Maior, e veio depois que o quarteto acompanhou a orquestra de jovens do Maxi em oito concertos.
Com seu repertório, o Descobertas faz um passeio pelo Brasil, do sertão aos pampas, executando canções que vão desde ''Tico-tico no Fubá'' a ''O Morro Não Tem Vez'', além de incluir Villa Lobos, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone - tudo com um arranjo próprio. ''Para a turnê, a expectativa é elevar as temperaturas por lá com nove tipos diferentes de ritmos'', adianta Marczak. Segundo o músico, a ideia é apresentar ritmos brasileiros e latinos, como choro, samba, salsa e tango, e ir além, mostrando ao público como esses ritmos se confundem. Ao retornar, o grupo planeja gravar seu primeiro CD e realizar apresentações pelo País.
Descobertas foi o nome de uma série de três CDs que Marczak lançou em parceria com um pianista italiano, mostrando como o clássico e o popular podem estar próximos. ''O disco fez com que muitos percebessem que o popular bem tocado vale tanto quanto o clássico'', aponta o violinista, lembrando que depois vários instrumentistas famosos, como Yo-Yo Ma, também gravaram músicas populares brasileiras.
Os discos foram gravados enquanto Marczak ainda morava na Europa e se esforçava em divulgar a música brasileira por lá. O músico voltou para Londrina em 2005, onde fixou residência e abriu sua escola de música. Até agora, quase 600 alunos já passaram pela instituição, direta ou indiretamente. ''Fui convidado para dar aulas em faculdades, mas lá o aluno já tem um preparo. E eu queria atuar nas bases. Se você cria um público de crianças que gostam e sabem tocar música já é uma mudança de realidade'', justifica.
Nos 14 anos que passou na Suíça e Alemanha, Marczak retornou nada menos que 43 vezes ao Brasil. Ter a oportunidade de fazer o inverso, agora, significa um reconhecimento merecido. Mas a recompensa mesmo, para ele, está nos frutos de seu trabalho com as crianças. ''É muito gratificante ver crianças e jovens se destacando na música. Quero ver se consigo encaminhá-las para a Europa, através de bolsas de estudos'', propõe. Se conseguir, estará propiciando a elas uma oportunidade semelhante à que mudou sua vida: ele mesmo, aos 17 anos, foi beneficiado por uma bolsa alemã, superando centenas de outros candidatos.

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