Descoberta de afrescos pode mudar a história da pintura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Velly Velásquez France Presse 
A descoberta de importantes afrescos da Idade Média numa das igrejas mais antigas de Roma, Santa María Aracoeli, cujo estilo inovador constitui um verdadeiro achado, pode mudar a história da pintura.
A Virgem com o menino, rodeado por uma coroa de ouro, o Cristo acompanhado de anjos e um pedaço de torre recortada, realizados com pinceladas inovadoras, foram descobertos na modesta capela de Pascoal Baylon da imponente igreja medieval, a poucos metros de distância do Capitólio.
A descoberta abre novamente o debate sobre a primazia da escola romana sobre a florentina, representada pelo grande Giotto (1266-1376), autor de três grandes ciclos sobre a vida de São Francisco em Assis, e considerado um dos criadores da pintura moderna.
Escondidos sob uma pintura de um discípulo de Caravaggio, os fragmentos de afrescos, muito bem conservados e completos, podem ser atribuídos a um grande mestre do início de 1290, realizados antes dos ciclos de Assis, afirmou Tommaso Strinati, expert em história da arte medieval e descobridor dos afrescos.
Se for possível reconhecer a mão de Pietro Cavallini (1250-1340) célebre artista romano, autor entre outros dos belos mosaicos de Santa Maria em Trastevere e for confirmada a data da realização, a primazia de Giotto será posta em questão, afirma o jornal La Republica.
Segundo alguns historiadores da arte, o achado romano demonstraria que Giotto não foi o primeiro que modificou a torpe maneira de pintar dos gregos para abrir às portas ao modo moderno.


