Alardeada pela gestão anterior da Prefeitura, a reforma da Biblioteca Mário de Andrade (BMA) não resolveu os problemas mais graves do prédio da Rua da Consolação, número 94, em São Paulo. Mesmo com a troca de toda a rede hidráulica, a BMA - a biblioteca mais importante da cidade e a segunda maior do País -, ainda convive com o mofo e infiltrações, com a falta de ventilação e climatização, com a falta de espaço e materiais básicos de trabalho. E, no caminho do sucateamento, não tem nada a comemorar, neste seu aniversário de 80 anos da instituição.
  ‘‘A Mário de Andrade está agonizando, depois de passar por mais uma década de abandono’’, alerta o novo diretor da biblioteca, Luís Francisco Carvalho Filho, que assumiu o cargo há 15 dias.
  Na terça-feira, Luís Francisco ‘‘comemorava’’ o fato de seu computador ter sido, finalmente, conectado à internet. Não, a Mário de Andrade não é informatizada. Pior, mal recebe disquetes suficientes para operar. ‘‘Eu peço disquetes ao Departamento de Bibliotecas e eles me oferecem dez unidades’’, conta a diretora técnica, Marfísia Lancellotti. ‘‘Ora, o que eu vou fazer com dez disquetes? Preciso de pelo menos cem.’’
  Para o novo diretor, o ponto principal para uma virada na qualidade de operação da Mário de Andrade é a volta da autonomia. ‘‘Desde 1975, a biblioteca é subordinada ao Departamento de Bibliotecas. Desta forma, é tratada como só mais uma biblioteca da cidade.’’
  Ele prepara uma movimentação política, num apelo ao secretário municipal de Cultura, Emanoel Araújo, e ao prefeito de São Paulo, José Serra(PSDB) para que a biblioteca tenha, na estrutura da secretaria, o status que merece. ‘‘O Centro Cultural, por exemplo, que passava por graves problemas, conseguiu ser recuperado pela gestão de Carlos Augusto Calil porque tem autonomia’’, compara. ‘‘Uma instituição do tamanho da Mário de Andrade não pode ser só mais uma biblioteca.’’

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