DESCASO - Festival é adiado por falta de verba
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba Prestes a realizar sua oitava edição, o Festival de Cinema Vídeo e Dcine de Curitiba foi adiado para setembro por falta de verbas. Cloris Ferreira, diretora da Araucária Produções Artísticas, empresa que produz o evento, está indignada com a situação. ''É muita falta de informação e muito descaso por parte das nossas autoridades, que não se sensibilizam com a realização de um festival que movimenta anualmente 50 mil pessoas e valoriza cada vez mais o Estado'', lamenta.
Depois de muito trabalho, a produção do festival teve que ser interrompida. Com parte da verba garantida através de apoios e serviços, o 8º Festival de Cinema de Curitiba necessita ainda de patrocínio. Segundo Cloris, faltam ainda R$ 200 mil para que o festival aconteça ainda neste ano. É que a Petrobras, estatal que há três edições garante a realização do evento, negou o patrocínio. Segundo Ferreira, a Petrobras patrocinou apenas um festival do sul do Brasil, e optou pelo o de Gramado, no Rio Grande do Sul.
O governo do Estado, que anualmente cedia o local para a realização do festival, também não colaborou neste ano. ''O governo quer me cobrar R$ 65 mil pelo aluguel do Centro de Convenções. Para recorrer ao Canal da Música, precisaria quitar uma dívida do ano passado de R$ 11 mil, e o aluguel custaria aproximadamente R$ 27 mil. É que no ano passado, a Petrobras avisou, apenas alguns dias antes do festival, que liberaria só a primeira parcela do patrocínio. Então fiquei com essa dívida'', explica Ferreira.
No Brasil, a maior parte dos recursos para a realização cultural têm vindo das estatais, através da Lei Rouanet, e de algumas empresas do setor privado, o que deu novo ânimo à produção cinematográfica depois de um sufocante período de estagnação. As produções culturais recentes, tanto na área de cinema quanto música ou artes plásticas, têm fomentado o interesse pelo incentivo fiscal. Mas, segundo Ferreira, os empresários paranaenses ainda são muito provincianos. ''Eles encaram a Lei Rouanet como uma fiscalização federal. Não dá para ser assim. Eles devem ter a cabeça mais aberta.''
Com esperança que comunidade e empresários se sensibilizem com a carência de recursos e a importância do festival para fortalecer a cultura, Ferreira conta agora com o apoio da iniciativa privada. ''Desisti do governo e das estatais. Agora estou contando com a boa vontade da população e de empresários que apostam na cultura e que vêem nela uma fonte de promoção social e de educação. Afinal, a fome cultural é tão grande quanto à fome física'', diz.
Neste ano, o requisito para a inscrição no 8º Festival de Cinema foi o envio de material em DVD, com exceção da categoria universitário. A partir de reflexões sobre questões tecnológicas, a organização do festival, junto com um conselho técnico, decidiu inserir em seu regulamento este quesito. Segundo Cloris Ferreira, a mudança já havia sido pensada na edição anterior, mas apenas esse ano a decisão foi colocada em prática. Para Cloris, a mudança reflete os avanços inadiáveis da indústria cinematográfica, como afirmou o cineasta Francis Ford Coppola em visita a Curitiba no ano passado, quando respondeu sobre o futuro do cinema e destacou as maravilhas do DVD.
Serviço:
Interessados no patrocínio do 8º Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba devem entrar em contato com Cloris Ferreira através dos telefones: (41)3013-3605 ou (41) 9972-1104.


