São Paulo - Descobrir um destino dois ou três anos antes de ele se tornar coqueluche turística – e voltar depois, para constatar as mudanças, com direito à pompa que provavelmente não existia antes. Ir a qualquer parte do mundo, principalmente aos lugares sem infra-estrutura. Para os habitués das viagens exclusivas, essas regalias fazem valer cada centavo gasto em roteiros cinco-estrelas e importam tanto quanto as mordomias dos hotéis de grife.
  Dubai é o melhor exemplo que vem à cabeça de Marisa Alves da Silva, 49 anos. Apaixonada por países e culturas diferentes, ela esteve na metrópole do deserto há três anos, quando boa parte dos prédios reluzentes e dos megacentros de compras que hoje povoam a cidade ainda não estava lá. ‘‘Foi influência de amigos europeus. Ainda não havia divulgação’’, lembra. A hospedagem foi no Burj Al Arab, o autoproclamado sete-estrelas, ícone local.
  Quando era mais jovem, ela conta, percorreu com o marido 14 mil quilômetros de carro pela Europa. Hoje, o casal não dispensa o motorista particular para desbravar locais considerados exóticos, como Délhi, Jaipur e Agra, na Índia. Nem a limusine para passear em Las Vegas – onde o aluguel de um carro assim custa, por hora, cerca de US$ 100.
  Curiosamente, Marisa faz questão dos city tours tradicionais, aqueles em ônibus lotados de turistas. ‘‘Adoro. Eles facilitam as amizades’’, justifica.
‘Melhor possível’
  O Usbequistão foi o destino recente de Helena Mester, 62. Uma viagem planejada sob medida era a única forma de chegar àquele país asiático que já foi uma república soviética, tão distante quanto importante na biografia da paulistana: ela nasceu lá. ‘‘Por acaso’’, explica. Os pais, judeus poloneses, se esconderam no país durante a Segunda Guerra.
  Em maio, Helena embarcou, depois de dois meses e meio de preparo. As formas de hospedagem foram ‘‘as melhores possíveis’’: uma unidade cinco-estrelas da rede Intercontinental, em Tashkent, e estabelecimentos bem mais simples no interior. ‘‘Mas todos tinham banheiros limpos e chuveiros em bom estado’’, conta.
  E como parece que a Ásia é mesmo o destino exótico do momento, as Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, foram o local escolhido por Valéria Gillet, 41, para descansar com a família em um bangalô de sonhos. Com direito a dois quartos, três banheiros e o mar na porta. No Resort Kuda Huraa, da rede Four Seasons, o atendimento personalizado incluía café no deck do bangalô e a reserva da mesa preferida no restaurante. (Mônica Nóbrega/A.E.)

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