Quem já comprou um disco só por causa da capa, vai enlouquecer com os CDs do selo inglês Poptones. Um pacote de 6 títulos chega esta semana às lojas inaugurando a temporada de lançamentos no Brasil da mais importante gravadora independente do Reino Unido.
Poptones é comandada por Alan McGee, ex-dono da Creation, vendida para a Sony. O empresário é uma das figuras mais respeitáveis do meio. Sem o seu faro para descobrir bandas, o mundo talvez não teria conhecido nomes como Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine, Primal Scream, House of Love, Teenage Fanclube, Ride e Oasis – todas reveladas pela Creation.
No Brasil, os discos da Poptones serão lançados pela Trama, a mesma que acaba de assinar contrato com a gravadora norte-americana Sub Pop para licenciar seus títulos entre nós. O pacote de estréia da Poptones privilegia bandas e artistas da nova safra como Cosmic Rough Riders, Technique, The Montgolfier Brothers, Outrageous Cherry, January e El Vez.
Mas antes de entrar nos comentários sobre cada CD, vale a pena contar uma historinha a respeito da já legendária Creation e de como o Oasis foi o responsável pela ascensão e queda da gravadora. O grupo dos irmãos Gallagher foi descoberto tocando num bar, em Glasgow, em 1993. Depois, ao mesmo tempo em que tirou o selo do buraco financeiro com as vendagens dos álbuns ‘‘Definitely Maybe’’ e ‘‘Morning Glory’’, deu um empurrão para fechar suas portas.
O motivo foi uma sucessão interminável de barracos entre McGee e a banda, o que tornou a convivência e os negócios insuportáveis a ponto de levar o patrão a acabar com a Creation e fundar um novo selo. Há dois anos à frente da Poptones, o empresário continua caçando novidades embora também olhe para trás afim de garimpar preciosidades no baú dos anos 60 e 70.
Além das novas bandas, já editou material antigo incluindo um disco inédito dos Byrds e trabalhos de artistas obscuros como Gary Usher e Curt Boettcher. O pacote da Trama optou pelos grupos emergentes. O principal destaque é o CD retrô ‘‘Out There In The Dark’’, terceiro álbum da banda Outrageous Cherry, de Detroit (EUA).
A banda viaja aos anos 60 trazendo psicodelia e barulho de garagem nas mochilas. Só a canção ‘‘Easy Come, Uneasy Glow’’ já vale a aquisição do disco. Primoroso também é o CD homônimo do duo inglês The Montgolfier Brothers (de Manchester) mesclando violões, guitarras dedilhadas, piano e arranjos orquestrais.
No exterior, críticos usaram o rótulo ‘‘chamber pop’’ (pop de câmara) para descrever o trabalho introspectivo do grupo. A banda January, por sua vez, combina o folk intimista com a atmosfera de guitarras saturadas de ambiência e efeitos que tanto marcaram a cena indie britânica na primeira metade da década de 90.
Outra boa surpresa do pacote atende pelo nome de El Vez, pseudônimo do cantor americano Robert Lopez, que se auto-proclama o ‘‘Elvis Mexicano’’. O CD ‘‘Pure Aztec Gold’’ é uma antologia reunindo 16 músicas extraídas de seus dez álbuns independentes. No repertório, o figuraça comete paródias impagáveis de gente como James Brown, Marc Bolan, David Bowie, Paul McCartney e, claro, Elvis. Todas as versões são apimentadas com elementos da cultura mexicana.
De outra praia vem o duo feminino Technique, cujo nome entrega a filiação musical. Em ‘‘Pop Philosophy’’, as duas gurias emprestam melodias chicletudas às batidas eletrônicas programadas variando do pop singelo radiofônico ao techno reto. A decepção da fornada fica por conta da banda escocesa Cosmic Rough Riders, badalada como o grande revelação da Poptones.
Soando a R.E.M, o grupo traz canções aguadas levemente influenciadas pela música indiana. Mas, no todo, o pacote convence indo além dos irresistíveis apelos gráficos das capinhas.

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