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A world music tem um representante natural no Brasil: o grupo Uakti.
Mas a tendência extrapola fronteiras com o som do harpista Alan Stivel ou do trio Ad Vielle Que Pourra

Música de raiz, sons exóticos, ritmos folclóricos. É com essas classificações que o ouvido pouco informado se habituou a consumir as criações musicais oriundas da África, Ásia, Américas Central e do Sul e de outras partes remotas do planeta.
No começo da década inventou-se o rótulo ‘‘world music’’ para imprimir um charme ‘‘internacional’’ a essas manifestações locais, que na época começavam a despontar no mercado fonográfico dos principais centros urbanos. A etiqueta, entretanto, serviu apenas para apagar a diversidade das múltiplas culturas e facilitar a procura dos discos nas lojas, que então abriam mais uma seção em suas prateleiras.
Agora, numa tentativa de educar o público para absorção de sonoridades ainda mal desbravadas, a gravadora Paradoxx Music explora o rótulo lançando um pacote com 9 CDs do gênero - todos eles licenciados das mais importantes gravadoras mundiais e também junto a artistas brasileiros que se destacam nesse filão, caso do grupo mineiro Uakti.
‘‘Nos últimos anos, o leque de opções oferecidas pela indústria nacional permaneceu limitado a sertanejo, pagode, pop mainstream, rock, dance. Enquanto isso, a world music, que era considerada periférica e destinada a minorias, deu origem a colisões culturais e musicais realmente inovadoras e foi se tornando um gênero de primeira necessidade para quem busca criatividade’’ - explica o crítico Jean-Yves de Neufville no texto de apresentação da coleção New World.
Coletânea Um dos destaques do lançamento colhe o grupo Uakti em momento iluminado no álbum 21. Uakti existe desde meados da década de 80. Seus integrantes tocam instrumentos fabricados a partir de tubos de PVC, vidro e metais, o que resulta na produção de sonoridades e timbres nada convencionais.
21 é a trilha sonora de uma coreografia encenada desde 92 pelo grupo de dança Corpo. O trabalho foi concebido a partir de uma brincadeira rítmica inspirada em construções arquitetônicas milenares como o Taj Mahal e na complexidade matemática que impregna as músicas indiana, tibetana e barroca. Para os leigos, porém, o lirismo e a delicadeza de faixas como ‘‘Hai Kai V’’ e ‘‘Tema em Sete’’ dispensam maiores explicações.
Antenas Além do Uakti, o pacote de CDs apresenta outro nome brasileiro, este mais conhecido dos que acompanham a MPB. Trata-se do grupo vocal Boca Livre, que no começo dos anos 80 emplacou sucessos como ‘‘Toada’’ e ‘‘Quem tem a Viola?’’ e que reaparece agora na coletânea Music For A Changing World.
O disco reúne representantes dos mais variados cantos do globo. Ao lado do Boca Livre figuram nomes como Boukan Ginen (Haiti), Tarika (Madagascar), Lázaro Ros (Cuba), Varttina (Finlândia) e I.K.Dairo MBE & His Blue Spost (Nigéria). Distante do padrão musical que dita a programação de rádios, TVs e os lançamentos das grandes gravadoras, o que se ouve aqui sugere uma expedição por fronteiras desconhecidas - mas nem por isso ilhadas em primitivismos ancestrais. Como pregava Chico Science, os artistas compilados fazem a ligação das raízes com as antenas mesclando tradição e contemporaneidade pop.
Celta É a fórmula presente também nos demais lançamentos do pacote, que inclui os álbuns Renaissance of The Celtic Harp (do harpista Alan Stivel), Salegy! (do grupo africano Jaojoby), Musaique (do trio Ad Vielle Que Pourra), Jucal (do guitarrista ‘‘flamenco’’ Geraldo Nu¤ez), New Day Dawning (do sexteto feminino irlandês Cherish The Ladies), Songhai (do grupo multi-étnico Ketama, Diabate & Thomson) e To The Moon (do grupo pop-celta escocês Capercaillie).

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