Já diz o ditado que quem canta é mais feliz. Mas nem todo mundo tem os dotes vocais de um profissional e aí sobra para os ouvidos de quem está por perto. Foi justamente pensando nesses ''cantores de ocasião'', que uma banda de Curitiba resolveu tirar a galera do show pessoal do chuveiro de casa para transformar o karaokê mecânico em uma experiência descontraída e emocionante, já que a proposta do Micophone é levar o público ao palco para soltar a voz na frente de uma platéia.
''A idéia surgiu há três ou quatro anos, acho que foi uma influência do inconsciente coletivo, dos programas de auditório, dos karaokês. Todo mundo pensou em ter uma banda que usasse as coisas do Silvio Santos, da Hebe, do Chacrinha, do Raul Gil'', conta Luciane Seretini, 31 anos, produtora do grupo, batizada de ''Shirley'', pois todos no grupo têm um ''nome artístico'' brega, assim como o figurino, propositalmente ''over'', kitsch.
Além de ''Shirley'', o grupo Micophone é composto por Toni Antoniacomi, ou ''Vacirlei Moraes'' (bateria); Priscila Graciano, a ''Kati Mendonça'' (vocal); Marcelo de Oliveira Senra, ou ''Reginaldo Clayderman'' (teclado); Manuela Bergamim, a ''Mallu Bellardi'' (backing vocal); Bruno Karam, ''Waldisney Madeinusa'' (guitarra); Robson Zanlucas, ''Roberley Mattoso'' (baixo) e Tony Quintino, ou ''Shelton'' (assistente), responsável por ''agendar'' os pedidos da noite e levar os convidados ao palco.
O grupo vem se apresentando eventualmente em aniversários e eventos de empresas e regularmente todas as quartas-feiras, no bar Era Só O Que Faltava, em Curitiba, já há um ano. A casa costuma ficar cheia na noite do Micophone, entretanto, antes de conhecer a proposta, o público precisou se acostumar um pouco com a idéia de que poderia ''se soltar'' sem o receio de passar vergonha. ''Na primeira apresentação nós colocamos uns amigos na platéia, para eles participarem e o público poder ver que a gente não ia morder. A gente faz questão de não ridicularizar quem sobe palco, até porque nós somos ridículos'', diz a vocalista Priscila.
A brincadeira acabou dando certo e é comum ver o pessoal se esbaldando e assumindo o personagem em músicas de Madonna, Sidney Magal, Boy George, Lobão, entre outros. As músicas preferidas são as oitentistas. ''Pessoal gosta muito do brega. Tem também os performáticos, que imitam o Mick Jagger, o Ney Matogrosso, a Tina Turner, o Michael Jackson. Teve um que chegou a rolar no chão enquanto estava cantando 'Like a Virgin', da Madonna'', lembra o baixista Zanlucas.
E qual a maior diferença entre o karaokê convencional e o ao vivo? ''É uma coisa completamente diferente, você tem aquele charme da banda tocando no palco, com o figurino'', nota a backing vocal Manuela. ''Quem sobe no palco tem a sensação de como é tocar ao vivo, valendo, não tem como voltar. Você está ali sem a maquininha de midi, tem a pressão do ao vivo, é mais como um desafio'', complementa o guitarrista Karam.
Além disso, o público tem a opção de poder requisitar uma música que não está no ''cardápio'', já que a banda anota e ensaia o pedido para oferecer na semana seguinte. Essa flexibilidade e a grande diversidade no repertório, aliás, são as grandes qualidades da Micophone, que conta com 155 músicas no repertório. ''Existe uma dificuldade técnica muito grande de ensaiar o repertório, porque você tem que tocar de tudo, samba, axé, rock e juntar todos os pequenos detalhes de cada música'', destaca Karam.
Para quem sobe ao palco, o importante é se divertir e esquecer os problemas do dia-a-dia, cantar a música preferida, seja da forma original ou na base do ''embromation'', mesmo, com a letra toda errada. ''Acho superinteressante, isso estimula a interação do público com a apresentação, deixa o ambiente mais lúdico e alegre'', opina o economista Orlando Campos, 34 anos, fã de Elvis Presley.
Já a engenheira Daniela Louback, 24 anos, gosta mesmo é de simular Marisa Monte e Tetê Espíndola no chuveiro. ''Acho superlegal porque tem muita gente que gosta de cantar no chuveiro, adoro cantar no chuveiro. E essa é uma oportunidade de se soltar.''




Modalidades propostas pela Micophone:


- Eu sou a estrela - O público canta a música como se fosse o cantor principal do grupo;
- Jukebox - As vocalistas dão aquela forcinha para o cantor durante a performance;
- Cantando no chuveiro - A performance acontece toda debaixo de um chuveiro de mentira, no canto do palco;
- Sempre quis ser backing vocal - Quem sobe ao palco faz o papel secundário nos vocais da música;
- Sou desafinado, prefiro dublar - Não precisa nem soltar a voz, basta fingir que está cantando a música;
- Só sei o refrão - Um dos mais populares, as pessoas só cantam um pedaço da música;
- Quero dançar essa - Basta se mexer durante a canção, não precisa nem mesmo dublá-la;
- Momento de coração para coração - O cantor faz uma dedicatória durante sua apresentação.

Para mais informações sobre o grupo, basta acessar a comunidade no Orkut, procurar por vídeos no YouTube ou mandar uma mensagem pelo e-mail [email protected]

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