São Paulo, 22 (AE) - Foram quatro anos no ar, durante os quais (de 1968 ao princípio de 1973), foram produzidos mais de cem episódios da série "Mod Squad". A série chega agora ao cinema. "Mod Squad - O Filme" não é nenhuma Brastemp, mas tem charme suficiente para render uma sessão mais agradável do que a de qualquer das superproduções recentes adaptadas de famosas séries televisivas. Pense no terrível "Os Vingadores", que não funcionou no cinema, apesar de Sean Connery, Uma Thurman e Ralph Fiennes. Pense principalmente no desastroso "As Loucas Aventuras de James West", com Will Smith e Kevin Kline, que soterrou, sob toneladas de efeitos, a graça do herói da TV.
"Mod Squad", a série, tinha um quê de psicodélica, procurando expressar na tela as mudanças de comportamento dos anos 60. O diretor Scott Silver e os roteiristas Stephen Kay e Kate Lanier tentaram adaptar o espírito da série para o cinema. Logo no começo, um letreiro adverte o que é Mod e o que é Squad. Gente moderna, de comportamento diferente, grupo de amigos. O filme, como a série, conta a história de três amigos: Julie, Pete e Linc. São interpretados por Claire Danes, Giovanni Ribisi e Omar Epps. Formam um esquadrão especial da polícia de Los Angeles.
A idéia inicial era mostrar três outsiders que agora viram ex-condenados, trazendo o espírito da série para o fim dos anos 90. Trabalham de forma meio clandestina para a polícia. Sem distintivos, sem armas, sem regras. Julie é uma ex-viciada, Pete arromba e rouba carros e Linc é um revoltado. Como diz o seu mentor no começo, o capitão Adam Greer, eles conseguem entrar onde a polícia não chega. O fato de terem fichas policiais não significa que sejam maus. Quando Greer aparece morto, o trio resolve investigar e topa com a corrupção dentro da própria polícia.
Scott Silver acha que o seu filme não se enquadra em nenhum gênero específico: tem ação, mas não é necessariamente eletrizante, é um drama e tem humor. Silver trabalhou em estreita colaboração com a diretora de fotografia Ellen Kuras. No anterior "Um Tiro para Andy Warhol", ela reproduziu na tela o visual sofisticado da factory em que reinou o pai da pop art. Silver propôs a Ellen um visual quente, com muitos tons vermelhos e alaranjados. Ela afirma que teve de recorrer a filtros fluorescentes para nuançar o excesso de colorido.
Na história, Julie tem problemas com o namorado, que a usa, Pete tem problemas com os pais, que o rejeitam, e Linc tem problemas com os afro-americanos como ele, marginalizados pela América violenta. Todos suprem suas carências por meio do companheirismo e da união. Dos três, Pete é o mais diferente da série de TV - mais bobo do que revoltado. O trio de atores funciona bem, mas se alguém merece destaque é Claire Danes.
A Julieta de Baz Luhrmann é uma gracinha. Tem o aspecto juvenil que serve à personagem, mas faz com que o público acredite numa Julie em busca da maturidade afetiva e sexual. Para dizer a verdade, Claire Danes funciona num registro muito semelhante ao de Gwyneth Paltrow. Não faz feio em comparação à fadinha loira de Hollywood, vencedora do Oscar. (L.C.M.)

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