Depoimentos
''Em resumo: no momento em que a elite perde a vergonha de ter mau gosto, de ser deseducada, encontra nas peças de Falabella e de Rasi o prazer de ver esse mau gosto, essa falta de educação elevada à condição de arte. (...) Aqui botamos (espetáculos) em salas para seiscentas pessoas, esperando que algum milagre aconteça. É balé clássico, balé não sei o quê, dança-teatro, e, principalmente, muita gente com muita coisa para dizer e nenhuma formação para isso, ou muita gente com bastante dinheiro e formação técnica, mas sem nada para dizer''.
Aimar Labaki, dramaturgo
''O teatro dos nossos dias é melancolicamente mais medíocre do que o teatro nos anos 60. A arte teatral de hoje avançou, sobretudo no que se refere à técnica cênica. Mas a arte como um todo que se mediocrizou de lá para cá. E o caso não é para melancolia, mas para reconstrução. A arte teatral, do início dos anos 80 até meados dos anos 90, tornou-se um ambivalente campo de representações atemporais, de teor lírico, algo expressionista, fazendo o pêndulo entre a arquetipia mítica e a ruína de um futuro intangível. Tudo o que fosse sem espaço e sem tempo definidos, tudo que se envolvesse numa carapaça estética abstrata era considerado de bom gosto, interessante, renovador. Era uma geração de diretores-cenógrafos que era chamada nos bastidores de ''a turma da fumaça de gelo-seco''.
Sérgio de Carvalho, ator e diretor da Cia. do Latão
''Sinto que uma escola de formação deveria privilegiar o ator pensante, o ator crítico mais do que o ator executor. Eu fico desejando um ator mais forte, com brio, com coragem, que garante esse espaço do teatro, que brigue por esse espaço, que defenda esse espaço do fazer teatral, enfim, que não fique à mercê da indústria, indo de qualquer jeito, de qualquer forma, a partir das imposições que a indústria faz''.
Antônio Araújo, diretor do grupo Teatro da Vertigem
''Tenho a impressão de que não existe povo que goste mais de teatro do que o brasileiro. Desde a Grécia. Tenho a impressão de que o verdadeiro esporte brasileiro é teleteatro. Futebol é o segundo. Se fizer uma avaliação, ganha o teleteatro, afinal uma forma de teatro.''
Aderbal Freire Filho, diretor teatral
''Como é que o indivíduo quer ser ator, quer representar seres humanos se não tiver toda a cultura humana? Pelo menos tem que tentar, tem que ter cultura para fazer teatro, a não ser que você queira só obedecer diretor. Existem três coisas fundamentais para ser ator. A primeira é técnica. Se não tiver técnica, não vai sair do lugar. A segunda coisa importante para o ator é ter técnica. E a terceira coisa fundamental para o ator é ter técnica. Sem isso, você vai apelar. Vai apelar e mal. A sua boca vai ficar espumosa, gritando grandes textos e expurgando esses textos. Precisa de técnica, técnica, técnica''.
Antunes Filho, diretor do CPT (Centro de Pesquisa Teatral)
''O povo brasileiro é um povo nobre, aristocrata; é um povo que tem uma força de imaginação que muitas vezes falta ao povo de teatro, muitas vezes o povo de teatro vive num universo mais da classe média, que é um universo mais pobre, humanamente falando. Acho que a razão de ser do teatro é despertar na sociedade a noção de poder, que o indivíduo tem poder.''
José Celso Martinez Corrêa, diretor da Oficina Uzyna Uzona





