Denzel Washington arrasa no papel do pugilista Rubin Carter, de "Hurricane", que estréia amanhã
Denzel Washington arrasa no papel do pugilista Rubin Carter, de "Hurricane", que estréia amanhã16/Mar, 14:12 Por Luiz Carlos Merten São Paulo, 16 (AE) - É uma história de ódio e renascimento. "Hurricane - O Furacão", que estréia amanhã (17) é um filme imperdível, mais pela excepcional interpretação de Denzel Washington do que pela direção de Norman Jewison. Russell Crowe é comovente em "O Informante", Kevin Spacey é um ator de raro brilho em "Beleza Americana", mas este é o ano de Washington no Oscar. Tudo aponta para ele. É um astro, um valor seguro nas bilheterias, será o primeiro negro a ganhar o prêmio da academia desde Sidney Poitier (por Uma Voz nas Sombras), nos anos 60. Tudo isso é verdade, mas o importante é que Washington merece. O personagem é real. Rubin Carter foi pugilista nos anos 60. Vítima do racismo, foi acusado de um crime que não cometeu. Ele tem uma fala memorável. A polícia procura dois negros suspeitos. "Quaisquer dois negros servem?", pergunta. Na cadeia, Carter escreveu um livro que foi parar nas mãos de um rapaz chamado Lezra (Lázaro), que se identificou com ele. Com amigos, Lezra passou a lutar pela liberdade do pugilista. Jewison mistura duas vertentes - os filmes de cadeia e os de julgamento. O drama de Carter arranca lágrimas até das pedras. Ele se arma com o ódio. É desarmado pela solidariedade. Washington nunca é menos do que perfeito para expressar suas emoções. O problema é que o diretor, que já abordou o racismo em "No Calor da Noite" e "A História de um Soldado", ficcionaliza a história de Carter. Cria um personagem fictício para expressar a perseguição de que ele foi vítima. O inspetor Della Pesca é calcado em Javert, o policial que persegue Jean Valjean em Os Miseráveis, de Victor Hugo. Cria-se uma ficção repleta de obviedades e simplificações. Mas o ator é soberbo. Rod Steiger, que ganhou o Oscar por "No Calor da Noite", também é ótimo como o juiz humanista que resolve o caso, figura semelhante à que criou em Loucos do Alabama, de Antonio Banderas. Para ele, também é uma história de renascimento.





