São Paulo, 15 (AE) - Para marcar seus 30 anos de carreira, a atriz Denise Stoklos abre, na quinta-feira, uma nova programação no Sesc Ipiranga, a série "Solos de Teatro", cujo objetivo é investigar o processo de criação do ator, elemento fundamental no jogo teatral. Até domingo, o público poderá ver quatro espetáculos dos oito que integram o repertório de seu teatro essencial: "Elis Regina", "Casa", "500 Anos - Um Fax de Denise Stoklos para Cristóvão Colombo" e "Desobediência Civil".
"Sinto-me honrada em abrir a série", diz Denise. Ainda na quinta-feira, a atriz fará uma demonstração de sua linha de trabalho por meio de uma conferência-aula, que contará com a participação de Diana Taylor, diretora da Perfoming Arts da New Yok University, autora de vários livros sobre teatro político latino-americano.
O público poderá também apreciar uma exposição de fotos da atriz realizada por Thais Stoklos Kignel, na área de convivência do Sesc Ipiranga. As fotos foram feitas por sua filha durante ensaios e captam diversas expressões faciais, até mesmo aquelas depois descartadas no espetáculo. "São fotos de processo, nas quais minha filha capta o despudor de expressões que jamais seriam fotografadas por outra pessoa", diz Denise.
A escolha do solo "Elis Regina" para abrir a série não foi aleatória. Se viva, Elis estaria fazendo aniversário nesta quinta-feira. Criado em 1983 com o título "Recital de Mímica sobre Interpretações de Elis Regina", o solo presta uma homenagem à cantora por quem Denise nutria profunda admiração. Embora interprete músicas de seu repertório, como "Se Eu Quiser Falar com Deus", a atriz está longe de realizar uma imitação da cantora, a quem só viu no palco uma vez.
"Minha referência de Elis é sonora", diz. A performer busca transformar a energia vocal da atriz numa coreografia corporal utilizando as modernas técnicas de mímica. "Crio sobre minha visão corporal de suas interpretações".
A mímica cede lugar para a linguagem clownesca em "Casa", solo que será apresentado na sexta-feira, no qual a atriz vive um divertido personagem inadaptado aos objetos de sua casa. "O espetáculo oferece vários níveis de leitura", avisa a atriz. Metaforicamente, o espetáculo fala do desconforto do homem contemporâneo num mundo construído sob a égide do consumo, onde o planeta deixa de ser um abrigo.
"Um Fax para Colombo", com apresentação no sábado, foi criado em 1992, na comemoração do Descobrimento da América. Na concepção de Denise, busca ampliar o tema. "O espetáculo permite infinitas leituras, pois fala da descoberta do nosso verdadeiro ser interior, muitas vezes massacrado pelo que nos é imposto, da mesma forma como os colonizadores fizeram com os índios", compara Denise. "O espetáculo propõe a integração e o respeito às diferenças".
No domingo, será a vez de "Desobediência Civil", a mais recente criação da atriz. O espetáculo se passa nos minutos que antecedem a meia-noite do ano 2000 e, por meio dele, ela propõe um balanço do milênio. "É como se alguém estivesse fazendo sua mala para a travessia do milênio e pensando sobre o que deve ser preservado ou descartado".
Na mesma linha de seu teatro essencial, cuja proposta é a exploração máxima do corpo, voz e mente do ator com um mínimo de elementos cênicos, Denise prepara um novo espetáculo. "Vozes Dissonantes", que trata dos 500 anos da Descoberta do Brasil, estréia no dia 22 de abril em Irati, no Paraná, cidade natal da atriz e ainda não tem data para chegar a São Paulo.

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