Denise Fraga, 46 anos, tem a fala mansa, gosta de articular enquanto raciocina e se estende nos argumentos, tranquila A atriz pouco lembra a figura aventureira, inexperiente e, por vezes, atrapalhada na experiência de uma maternidade dupla, há pouco mais de uma década
As experimentações na criação dos dois filhos - Nino, 13, e Pedro, 11 -, renderam 6 anos de crônicas na revista ''Crescer'' e agora foram compiladas no livro ''Travessuras de Mãe'', relato em primeira pessoa do universo que passou a habitar
Entre mamadeiras, choros, birras e brigas na escola, Denise expõe inseguranças e desafia o politicamente correto: quando Pedro tomou por hábito morder os pais ao ser contrariado, a mãe não teve dúvida e cravou os dentes no bracinho do filho Depois de madrugadas insones, Denise não hesita na hora de acalmar até adultos estressados: chupeta na boca A atriz e mãe falou com a reportagem:
Para o livro, você revisitou um material de 6 anos das suas colunas Reescreveu algo?
Não reescrevi, porque ali há um amadurecimento meu, como mãe e como escritora Acho que hoje eu daria um outro tom, sem tanto daquela insegurança inicial Quando comecei a escrever, os meninos tinham 5 e 6 anos, e coisas demais me preocupavam
O que faria diferente?
Hoje, eu seria uma mãe muito mais relaxada! Eu aprendi muito com eles, com esse poder de se olhar sendo mãe Acho que, mais do que escrever sobre mamadeiras, escrevo sobre a dúvida, sobre esse estar em xeque que é ser mãe
O humor permeia seu livro Acredita que é um ingrediente necessário para ser boa mãe?
Tenho fé de que o humor é uma coisa muito poderosa O humor salva Se você está numa encrenca danada e vacila, a vida fica chata e cai no desgaste O humor tem de vir na frente
Seus filhos leram?
O mais velho (Nino) me pediu: ''Me dá teu livro aí, eu quero ler'' e se enfiou no quarto Então, quando saía, vinha e me beijava Foi muito legal
Você recorre à ''Nossa Senhora dos Divãs'' De onde ela veio?
Sou de uma geração de mães que se cobram várias faculdades sem ter feito nenhuma A gente se cobra uma atitude psicologizada, acha que tem de discutir com a pedagoga do colégio Filho é a faculdade que todo mundo fez
Você se expôs em contos que poderiam até te constranger - como quando mordeu o braço do seu filho Arrependeu-se?
Depois, eu pensei: ''Meu Deus, olha o que eu escrevi!'' Como quando contei que chorei na frente do meu filho Nada disso é politicamente correto Mas achei que ele precisava me ver chorar Então, não me fiz de forte Não sei se foi a melhor atitude, se eu faria de novo O livro desmistifica esse romantismo em torno da mãe Mãe com bebê é algo quase divino Mas o que eu faço com essa criaturinha que me olha o tempo todo?
No livro, você recomenda chupeta contra estresse Testou?
É verdade Depois de grande, você já colocou uma chupeta na boca? Eu, já Faça pra você ver É ótimo Acalma na hora Pode testar, que dá certo Eu recomendo
Seu livro se propõe a compartilhar experiências Qual a principal lição que aprendeu?
Que mãe é uma figura que aparece de uma hora pra outra Antes, eu não acordava nem com telefone na orelha Depois, acordava se um deles se mexia no berço A mãe vem É como uma leoa
Seus filhos são da geração MSN Como lida com isso?
Eu ainda não fui contaminada Computador é um hábito que eu tenho de me forçar, mesmo nos tempos de hoje No mês passado, me achando jurássica, comprei um Blackberry Até hoje, não uso Eu tenho alguma coisa avessa e isso já vem desde o telefone sem fio Sou meio fora da época
E pra lidar com essa garotada?
Meus filhos são informatizados num grau bem baixo Não são parte dessa geração completamente informatizada, que parece que já nasceu com chip Não sei se eles deveriam exercitar mais esse lado Mas essa é só mais uma das minhas dúvidas de mãe

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