Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A atriz paranaense Denise Stoklos está comemorando 30 anos de carreira. Para marcar a data, ela encena hoje, amanhã e domingo, em Curitiba, três de seus mais brilhantes espetáculos - ‘‘Elis’, ‘‘Casa’’ e ‘‘Desobediência Civil’’
Os trinta anos de teatro da autora, atriz e diretora Denise Stoklos estão sendo comemorados de hoje a domingo com os espetáculos ‘‘Elis Regina’’, ‘‘Casa’’ e ‘‘Desobediência Civil’’, no Guairinha. Os dois primeiros às 21 horas, e o último às 19 horas.
O mais antigo é ‘‘Elis’’ feito em 1982 - único em mímica. Elis canta e Denise coreografa. ‘‘Não é uma dublagem mas uma transmissão corporal do que entendo que Elis esteja interpretando. É um espetáculo para se ouvir e entreter. É uma homenagem.’’
‘‘Casa’’ é sobre o ser dentro do seu habitat. Com várias leituras, o espectador aufere o que lhe interessa. Pode ser o próprio ser humano, sua caverna, sua oca, seu iglu, seu corpo, sua mente ou onde está residindo com suas relações. ‘‘Como é teatro, o jogo está ali. A casa está ali, o inconsciente da defesa de cada um.’’ ‘‘Casa’’ foi concebido em 1990.
O teatro que Denise faz foge do convencional. ‘‘Faço um teatro xamânico, onde o ator é responsável pelo público, como um pajé por uma tribo. Mobilizar a sua comunidade, que se reúne em um evento. Todos devem sair melhor. Administrar sua casa.’’
‘‘Todo trabalho artístico é sobre a luta do homem por amor e liberdade’’, define. ‘‘É só essa busca que interessa. Só isso que nos diferencia. O teatro existe para isso. É uma atividade sagrada, desde o homen das cavernas.’’
Por sua vez ‘‘Desobediência Civil’’ é de 1997 e versa sobre o pensamento do autor e filósofo norte-americano Henry David Thoreau, que escreveu um manifesto chamado ‘‘Desobediência Civil’’. Foi ainda inspirador de Gandhi e Martin Luther King.
Thoreau isolou-se no mato para escrever o manifesto. A atriz vive os minutos que antecedem a meia-noite do ano 2000, quando os pensamentos do filósofo se tornam o último discurso do milênio.
Através de um vigoroso trabalho corporal e verbal é feito um clamor à preservação da natureza, exterior e interior, à interação entre elas, à não-separação entre o solo da Terra e à carne dos corações. ‘‘O mato do Thoreau é a nossa selva tecnológica.’’
Denise comemora seus 30 anos de carreira há um ano. Os paulistas tiveram o privilégio de assistir a oito espetáculos, que também serão vistos em Salvador. ‘‘Queria muito fazer todos em Curitiba, por que foi aqui que começei, mas foi uma dificuldade incrível. A Fundação Cultural não queria de jeito nenhum. Imagino que seja por receio do meu trabalho político em ‘‘Vozes...’’. A oportunidade surgiu porque outro foi cancelado.
•Denise Stoklos, em ‘‘Elis’’, sexta-feira, às 21h; ‘‘Casa’’, sábado, às 21h; e ‘‘Desobediência Civil’’, domingo, às 19h, no Guairinha. Ingressos a R$ 25,00 (platéia) e R$ 20,00 (1º balcão). Informações: (0+ código da operadora +41) 322-2628

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