Demorou mas elas conseguiram
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
ReproduçãoO Sonho(1932), de PicassoDizem as estatísticas do IBGE que, de cada cinco famílias brasileiras, uma é chefiada por mulher. Muitas delas assumiram a função de pai e mãe dentro de casa e, evidentemente, não estão satisfeitas com esta situação. Hoje, Dia Internacional da Mulher, elas lembram suas conquistas dos últimos anos e exigem muito mais. Há pelo menos 30 anos aposentaram a Amélia, a mulher de verdade, e passaram a lutar pela conquista do mercado de trabalho e dos direitos de igualdade com os homens.
Sobrecarregadas pela segunda jornada de trabalho no lar, lutam agora por uma contrapartida maior do sexo masculino nas atividades domésticas. No mercado de trabalho, cresce a cada ano a participação feminina - o número dobrou, desde 1977. No Estado de São Paulo, o maior centro financeiro do País, elas já representam quase 50% da força de trabalho nos bancos. E as mulheres também vêm trilhando com mais facilidade os caminhos até os postos de comando nas grandes empresas, antes ocupados exclusivamente pelos homens. Mas ser chefe de saia e batom significa trabalho dobrado, em todos os sentidos.
O que mais incomoda a ala feminina é a discriminação. Em boa parte dos casos, o salário da mulher ainda não chegou ao mesmo nível dos pagos aos homens nos grandes centros urbanos. Mas uma pesquisa feita pelo Grupo Catho com 1.509 executivas indicou um grande salto nos valores dos holerites das mulheres. Muitas, inclusive, passaram a ter uma remuneração acima da recebida pelos colegas de trabalho que ocupavam o mesmo posto de diretoria.
Pesquisas de mercado indicam que as taxas mais elevadas de participação feminina no trabalho chegam ao limite de 24 anos, no máximo. A partir dessa idade, as mulheres geralmente abandonam o emprego para se dedicar à família e aos filhos, e voltam ao trabalho depois dos 32 anos, o que torna mais difícil a ascensão profissional.
Queixas à parte, pelo menos no Brasil as mulheres já disputam postos de trabalho que antes eram exclusividade dos homens. Foram aceitas nas Forças Armadas - e poderão ingressar na Aeronáutica ainda este ano -, são taxistas e trabalham nas fábricas, nos escritórios, no metrô, nos portos. São executivas, apitam jogos de futebol, dirigem empresas, pilotam aviões. E a maioria, claro, ainda cuida da casa e dos filhos.
O inícioA luta pela conquista de mais direitos começou em 1910 em Copenhague, na Dinamarca, sede da Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. Há muito tempo as mulheres da Europa e dos Estados Unidos - entre elas as socialistas européias Clara Zetkin (dirigente do jornal Die Gleid Heit), Otilia Bader e Linda Zeith - vinham desenvolvendo importantes projetos para sua independência.
A principal meta era obter o direito do voto feminino. Na Conferência, Clara Zetkin apresentou e conseguiu fazer aprovar uma resolução propondo que as mulheres socialistas do mundo todo organizassem uma jornada e a data escolhida seria 8 de março. De acordo com outra versão, essa data teria sido escolhida em 1857, quando as operárias das indústrias têxtil realizaram um movimento gigantesco, justamente em 8 de março, em busca de seus direitos trabalhistas.


