Demasiadamente humano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Geraldo Bessa<br>TV Press 
A adrenalina é o principal ingrediente do "Planeta Extremo". No entanto, uma profusão de imagens recheadas de cenas de aventura não é suficiente para livrar o programa da obviedade. A saída para a equipe da produção foi investir no que há de mais orgânico na produção: a coragem, o medo e o estresse de seus apresentadores, Clayton Conservani e Carol Barcellos. Nem que para isso seja necessário expor a intimidade da equipe e os bastidores do que é gravado. Por conta disso, o maior trunfo desta segunda temporada está no capital humano que rege o programa. De "cara", é perceptível que essa atitude não foi calculada, mas motivada pelo acaso. Durante a viagem para captar a produção do Mel no Nepal, os nove integrantes da produção foram surpreendidos pelo terremoto de 7,8 graus na escala Richter que arrasou a região.
Além de unir a equipe, a experiência acabou por pautar o jeito mais próximo e muito mais humano que se destaca no resto da temporada. Sem a pretensão de serem super-humanos resistentes a tudo, o programa acaba ganhando conflitos por conta das limitações de cada um. O resultado não apenas mostra a beleza e as adversidades de cada região, mas faz o telespectador viver junto com a equipe as surpresas, delícias e dificuldades de cada novo desafio.
Mesmo sem perder a coerência, o programa tem resultados oscilantes a cada edição, pois depende do grau de interesse e de dificuldade em cada viagem. Mais à vontade à frente da produção, Clayton e Carol garantem maior poder de comunicação e vínculo com o telespectador. Tecnicamente, o "Planeta Extremo" se utiliza da tecnologia para não perder as cenas mais importantes, com câmaras posicionadas nos capacetes e mãos de todos os envolvidos nas gravações, o que torna o programa mais vivo e com cenas repleta de detalhes. Dividindo trunfos e dificuldades, a produção consegue passar para o telespectador altas doses de adrenalina, mas sem perder sua porção de verdade.


