Sonhar, imaginar e contar histórias. Essa é a história da menina Catirina, que aos 13 anos compartilha com o leitor sua vida e suas inquietações. Como boa parte dos adolescentes, Catirina ganhou vários apelidos na escola: margarina, creolina, gelatina, no entanto um deles era o seu preferido: gostava quando a chamavam de... piscina. Ao longo da narrativa, a piscina passa a ser usada pela autora Gláucia de Souza como metáfora dos sonhos e da vida da menina.
A narrativa começa a partir de uma decisão importante. Os pais de Catirina se viram obrigados a largar a lavoura, fugir da seca e tentar uma nova vida em outro lugar. Os filhos nasceram na cidade. Com muita delicadeza e um toque poético, Gláucia apresenta a dura realidade social e as dificuldades enfrentadas por tantos retirantes que vivem nos grandes centros, problemas sérios como a habitação precária e a evasão escolar.
Mesmo diante das dificuldades Catirina não perde o brilho. Uma menina curiosa, que gosta de ouvir as histórias que sua irmã Luzia inventa. Cabia à irmã mais velha cuidar dos pequenos e da casa. Luzia não pode estudar, mesmo assim a sua criatividade empolgava a caçula. Tinha um jeito único de transformar o corriqueiro em algo especial.
Catirina mergulhava naquele universo de contos fantásticos, absorvia cada palavra. Ela queria estudar e sua alegria maior foi quando pode ''entrar na escola'', ''na'' porque estava de corpo inteiro ali. ''E até parecia que eu estava cheia de escola por todos os lados, que nem a gente fica cheia de água em volta quando mergulha...'' Queria aprender a ler e a escrever para registrar todas as suas histórias e as da irmã.
Gláucia de Souza conduz a narrativa com suavidade, leveza sem perder a profundidade dos assuntos apresentados. Trata dos problemas do País, de questões profundas como a individualidade de forma acessível e sensível. O livro ganha vida através das cores e ilustrações de Elma.

SERVIÇO
Editora - FTD
Quanto - R$ 30,70 (40 pág.)

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