Há boas e velhas saídas na hora de se cantar a letra que já sai pela boca sem passar pelo cérebro. Marcelo D2, no início de ''Mantenha o Respeito'', deixa o público fazer o trabalho sujo. ''O pessoal canta ela inteira e direitinho.''
Zeca Pagodinho sobe ao palco com duas listas de músicas. Se enjoa de uma, muda para outra. ''É do dia. Se não quero cantar a que está me aporrinhando, não canto.'' Os Los Hermanos, embora tenham matado e enterrado ''Anna Júlia'' ao perceberem que a garota que os fez famosos se tornara uma mocréia, dizem que a culpa é da imprensa. ''Foi uma evolução natural. Quem faz disso uma pauta são vocês'', fala Marcelo Camelo.
Menos atormentada pela própria obra, Rita Lee não se sente mal quando a banda puxa ''Mania de Você''. ''Se não tocar essa, 'Ovelha Negra' ou 'Lança Perfume', neguinho não dá o show por encerrado.'' Se gostaria de mandar alguma delas para umas férias em Júpiter? ''Não. Quando a gente pisa no palco, tudo o que era abóbora vira carruagem.''
Quem se esforça para pensar assim é Bezerra da Silva. O sambista gostaria muito de se ver livre da pegajosa ''Pega Eu Que Eu Sou Ladrão'', que fala de um ladrão que foi em sua casa e quase morreu do coração. A bendita foi seu primeiro sucesso e virou um grude desde então. ''O que posso fazer se me pedem ela todas as vezes? Quem manda é o cliente.'' Num show recente, Bezerra entrou muito aplaudido. Sério, ele agradeceu, respirou fundo e mandou ver: ''O ladrão foi lá em casa, quase morreu do coração...'' (J.M.)

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