Paulo Vilela acredita no que faz. O ator se porta como uma extensão dos próprios pensamentos e defende como um leão cada um de seus projetos. Em dezembro, ele entra no ar em "Conselho Tutelar", que foi produzida pela Visom Digital em parceria com a Record. Aliás, o convite para a série veio por meio de Carlos de Andrade, dono da produtora, enquanto Paulo gravava o curta-metragem "Amor Proibido", em que interpretava um homossexual não assumido.
Desta vez, o personagem é César, um conselheiro tutelar recém-nomeado. Ao abrir a boca para descrever o papel, o ator se mostra visivelmente empolgado. "Meu personagem sofreu abuso na infância. Quando cresceu, percebeu que nenhuma criança deveria passar por isso. Então, se candidatou para ser conselheiro tutelar", explica.
Para Paulo, César representa a indignação das pessoas ao verem uma criança ou adolescente sendo maltratado. A inquietação marca o olhar que o ator possui sobre seu papel. "Meu personagem é imediatista. Não tem paciência para protocolos", revela.
Na série, os impulsos de César são contidos pelo conselheiro Sereno, interpretado por Roberto Bomtempo. Por ser mais experiente, Sereno resolve as situações a tempo de salvar as crianças.
Quanto à preparação para compreender melhor a realidade dos conselheiros, Paulo foi instruído pelo profissional da área Heber Boscoli. O ator admite que não sabia como denunciar os abusos cometidos contra crianças, mas o laboratório foi esclarecedor. "É impressionante ver que a maioria dos abusos acontece dentro de casa", diz, estarrecido.
É de projetos como "Conselho Tutelar" que Paulo gosta de fazer parte. Além de entreter, o ator acredita que a série servirá para esclarecer muitas dúvidas do público, durante os cinco episódios baseados em fatos reais. A produção inicialmente teria 14 dias de exibição, mas foi reduzida pela emissora. Mesmo assim, há a possibilidade de uma segunda temporada, dependendo do resultado que a série tiver após a estreia. "Estou com um frio na barriga porque quero saber como isso vai ser aceito pelo nosso povo", entusiasma-se.
Outro trabalho do qual Paulo se orgulha de ter participado e que, a seu ver, tem um papel importante para a sociedade assim como "Conselho Tutelar" é o filme "Tropa de Elite". No longa, o ator deu vida ao traficante Edu. "Gosto de trabalhos que colocam a sociedade para pensar. O Edu retrata como é essa galera que trafica para ter um status de popularidade", analisa.
Ser ator é o papel de Paulo na vida. Representar parece estar ligado a tudo que o move. As questões específicas de seus personagens passam a ser suas também, mesmo que por um curto período de tempo. Além de "Conselho Tutelar", ele está envolvido no projeto do filme "Jogos de Mente", do cineasta Ricky Mastro.
Ativista da comunidade LGBT, Ricky convidou Paulo para ser um dos personagens soropositivos e mostrar aos brasileiros que essas pessoas são normais, na tentativa de quebrar o preconceito. O tom de empolgação do ator só diminui quando o projeto esbarra na burocracia. "Ricky está lutando para fazer cinema. Não sei se o filme vai ser lançado por causa da questão financeira, mas espero que melhore. Falta apoio", reclama.

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