Longe de um ufanismo exacerbado, que exaltava as riquezas do país, hoje há um patriotismo mais consciente. Essa a idéia que é desenvolvida no Colégio Estadual Professor José Aloísio Aragão, que ontem marcou o início da Semana da Pátria com solenidade de hasteamento da bandeira, execução do Hino Nacional e convidados especiais, entre eles o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wilmar Sachetini Marçal. Durante toda a semana haverá uma gincana cultural e esportiva, além de dezenas de palestras sobre temas que evocam a cidadania.
O professor de História e diretor auxiliar do colégio, Roberto Cezar de Andrade, 40 anos, admite que ainda hoje existe um certo saudosismo com relação aos grandes desfiles de Sete de Setembro, mas tem uma visão otimista sobre o processo atual. ''Hoje em dia essa comemoração perdeu a conotação do militarismo, está menos formal, e esse processo é natural. O patriotismo se manifesta de outras formas, como em comemorações da Copa do Mundo; com as conquistas das mulheres no mercado de trabalho e a democratização da educação'', salientou.
Andrade explicou que a instituição vem buscando trabalhar com os alunos a idéia moderna de independência também na área de conservação do patrimônio natural. ''Antes se exaltava a beleza da Pátria, dentro de um modelo iluminista de visão histórica, hoje trabalhamos a consciência de consumo e uso dos nossos recursos naturais'', disse o professor.
Como exemplo de patriotismo pouco consciente, citou uma cartilha, editada em 1937, em pleno Estado Novo, intitulada ''O Brasil é Bom'', que faz apologia ao Estado e chega a afirmar que as riquezas naturais poderiam ser exploradas de forma ilimitada. ''Atualmente esse tipo de conceito não cabe mais. Defendemos uma educação mais crítica, que leve a um patriotismo mais realista e contextualizado, sem tanto ufanismo'', comentou.
O professor também destacou que não considera produtivo fazer comparações entre o patriotismo existente no Brasil e em outros países. Marcado com um modelo de exploração colonialista, que mesmo após a Independência foi o único país da América Latina que continuou com um imperador, o Brasil tem suas peculiaridades e é marcado por movimentos sociais pontuais.
Para o futuro, segundo Andrade, essa nova maneira de lidar com o conceito de patriotismo irá promover uma maior conscientização de cidadania e participação política e social.

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