São Paulo, 15 (AE) - Dee Dee Bridgewater é uma cantora para poucos. Não grita e não rebola, apenas canta. Na terça e quarta-feiras, às 21 horas, no Teatro Alfa, em São Paulo,essa cantora de jazz vai manter acesa a chama do scat singing, que fez a fama de Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Carmen McRae. Num cenário dominado por cantoras medianas, Dee Dee Bridgewater surge como uma esperança para o jazz, ao lado de Diana Krall.
De Las Vegas, onde foi faturar alguns trocados, Dee Dee Bridgewater concedeu uma entrevista à AGÊNCIA ESTADO, em que reafirmou seu desejo de gravar um álbum inteiramente dedicado ao compositor brasileiro Ivan Lins. Apenas não sabe quando. "Não tivemos muitas oportunidades de estar juntos e discutir o projeto", justifica a cantora, cujo último disco foi gravado há dois anos. Dele, Dear Ella, dedicado à memória de Ella Fitzgerald, ela cantou algumas músicas em seu show no Free Jazz de 1997.
Sofisticação - Para as duas próximas apresentações, na terça e na quarta, ela ainda não definiu o programa, mas certamente vai cantar "Basin Street Blues", "Lets Do It", "Night in Tunisia" e alguma coisa de seu compositor favorito, Horace Silver, um dos grandes pianistas do jazz moderno, que escreveu peças de sucesso nos anos 50. A sofisticação de Silver cai bem na voz exclusiva de Dee Dee, também uma premiada atriz (Sophisticated Ladies), que fez a primeira Sally Bowles negra do histórico musical "Cabaret" (numa montagem no parisiense Mogador).
Dee Dee gostaria de dedicar mais tempo às gravações, não fosse o assédio dos produtores, que insistem em ter a cantora no elenco de musicais ("Sophisticated Ladies" ainda corre os Estados Unidos). "Ganhei um Grammy por Dear Ella e tenho um projeto de gravar ao vivo, mas não sobra tempo", diz. Com um filho de 7 anos, nascido e criado em Paris, ela resolveu voltar aos Estados Unidos para não privar o garoto da cultura americana.
Cinema, por enquanto, nem pensar. Ela ofereceu um projeto para a Polygram Pictures, um roteiro original de sua autoria sobre o qual não adianta nem o tema, por medo de que algum aventureiro lhe roube a idéia. Ela rejeitou dois convites para filmar na França, um deles para interpretar uma cega.
Discriminação - "O fato é que quero me concentrar em minha carreira musical e só aceitei fazer peças na França porque não tinha muita opção quando abandonei os Estados Unidos, onde oferecem poucos papéis para atrizes negras", justifica.
Dee Dee, que fez o papel de Billie Holiday em "Lady Day", não a inclui entre as cantoras que exerceram influência em sua carreira. "Acho que estou mais próxima de Ellla Fitzgerald e Betty Carter", diz a cantora, que chegou a ser indicada para o prêmio de melhor atriz pelos críticos londrinos quando assumiu a vida dolorosa de Billie no palco. A dela, garante, é mais feliz. Casada com um produtor francês, ela foi cultuada pelo sofisticado público parisiense, fez boas peças na capital francesa e conseguiu ser reconhecida em seu país natal graças à repercussão desse trabalho na Europa.
Tributo francês - Em reconhecimento, ela pretende, no próximo ano, gravar um disco dedicado à música francesa, destacando a música de Charles Trenet. "No retorno aos Estados Unidos não encontrei nada muito novo na cena do jazz, que parece regressiva em relação à época em que troquei os Estados Unidos pela França", comenta.
Dee Dee vem ao Brasil acompanhada por seu trio, destacando-se o pianista Thierry Eliez. Em tempo: ela pede que o público preste atenção no novo baterista, Ali Jackson.
Serviço - Dee Dee Bridgewater. Terça e quarta, às 21 horas. De R$ 50,00 a R$ 70,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, em São Paulo, tel. (11) 5693-4000. Patrocínio: Votomassa/Argamassa da Votorantim. Co-patrocínio: Alfa Romeo, Oracle, Banco Alfa, Hotel Transamérica.

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