Dedos incendiários
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
ReproduçãoPepeu Gomes vai lançar songbook, homevideo e livro de fotosNelson Sato 
Qual é o melhor guitarrista do Brasil? Apesar das controvérsias, que não são poucas, o baiano Pepeu Gomes invariavelmente desponta no ranking dos críticos rivalizando com nomes como Nuno Mindelis, Armandinho, Sergio Dias Baptista ou Heraldo do Monte.
Fora da badalação da mídia há anos, o artista volta ao noticiário musical com o lançamento do CD duplo Pepeu Gomes - 20 anos (Natasha Records), que dá o pontapé inicial para a comemoração de suas duas décadas de carreira solo como cantor, compositor e principalmente instrumentista.
A celebração inclui um songbook em dois volumes, um disco com 5 músicas inéditas, um homevideo e um livro de fotos recheado de depoimentos de artistas que conviveram com ele. Tudo programado para chegar ao público ainda nesse verão. Mas Pepeu participa também de outra festa, a que apaga trinta velinhas como integrante dos Novos Baianos, o legendário grupo extinto em 1978 e remontado em 1996.
ReproduçãoPepeu, como se vê, tem história. E muitas histórias para contar. Foi descoberto por Gilberto Gil na Bahia, quando ainda tocava no obscuro conjunto (na época não se falava em banda) Leifs. Depois de assisti-lo num programa de TV, Gil o chamou para acompanhá-lo no show Barra 69, a despedida dos tropicalistas realizada no teatro Castro Alves, em Salvador. Mais tarde, presenteou o menino com um disco de Jimi Hendrix.
Foi o que bastou para alavancar sua vocação de guitarrista, projetando-a profissionalmente. O CD duplo comemorativo é o testemunho desse talento, flagrando o músico em seus altos e baixos, ora em notáveis performances, ora pasteurizado por arranjos de teclados e metais pouco convincentes. O material traz a quase totalidade de sua obra instrumental em gravações originais remasterizadas.
O repertório apresenta 39 faixas. Um dos discos reúne a íntegra dos álbuns Geração de Som (1978) e On the Road (1989), sendo que o primeiro registra sua estréia no mercado fonográfico sem a companhia de Baby Consuelo, Moraes Moreira, Galvão e Paulinho Boca do Cantor. O disco inclui Malacaxeta, talvez seu maior sucesso de público ao lado de Eu também quero Beijar e Masculino e Feminino, estas excluídas da coletânea por serem cantadas.
On the Road, por sua vez, resgata o material gravado ao vivo no Rio Jazz Club, no qual Pepeu homenageia os grandes mestres do samba, choro e bossa nova. Na faixa Pot-Pourri, por exemplo, ele junta Lamento, de Pixinguinha; Aquarela do Brasil, de Ary Barroso; Brasileirinho, de Waldir Azevedo; Noites Cariocas e Assanhado, ambas de Jacob do Bandolim.
Já o segundo CD comemorativo compila faixas instrumentais dos álbuns Na Terra a Mais de Mil (1979), Festival de Montreaux ao Vivo (1980), Pepeu Gomes (1981), Raio Laser (1982), Masculino e Feminino (1983), Energia Positiva (1985) e Pedra Não é Gente Ainda (1988). Difícil de apreciar para quem educou os ouvidos nos anos 90, década que enterrou os solos de guitarra, esta obra se inscreve como um documento musical a ser redescoberto pelas novas gerações.


