Decorando a casa com grandes pintores
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Quando pintou os sete quadros intitulados ''Os Girassóis'', Vincent Van Gogh pretendia usá-los para decorar a sua casa amarela. Em 1987, cem anos após a morte do pintor, um desses quadros em especial ganhou ainda mais notoriedade ao ser arrematado pela companhia de seguros japonesa Yasuda por 36 milhões de dólares em um leilão. Era o maior valor já pago por um quadro. Porém, 11 anos depois, especialistas na obra do pintor levaram a público uma suspeita: segundo eles, o quadro não passaria de uma cópia grosseira, sem trazer sequer a assinatura do mestre.
Pois um desses quadros de girassóis, em óleo sobre tela, pode ser adquirido em Londrina por pouco mais de R$ 200. Claro que neste caso trata-se indubitavelmente de uma réplica. Mas e daí? Afinal, essa pintura, que reproduz com fidelidade (embora tenha algumas diferenças) o quadro original, foi feita mesmo para decorar. E qual a diferença de se ter em casa uma cópia em papel, impressa por uma gráfica (conhecida como gravura), e uma cópia feita por outro pintor (chamada de reprodução)?
''A diferença é que a gravura fica atrás de um vidro, e a reprodução, não. Então você tem um contato mais direto'', compara José Vinicius Munhoz Pinto, sócio-proprietário da Le Marchand, loja que comercializa reproduções de quadros de artistas famosos e desconhecidos. As cópias são feitas por pintores estrangeiros, e seu preço é determinado pela dificuldade da obra. ''Temos quadros que vão de R$ 60 a R$ 1.400'', revela o empresário, lembrando que, por se tratar de imagens de domínio público, não há problemas em reproduzi-las.
Além de terem as cores mais intensas que nas gravuras, as reproduções ainda preservam a textura das tintas, o que faz bastante diferença no caso de um Van Gogh, por exemplo. Trata-se ainda de uma forma de tornar acessíveis obras de importante valor histórico e estético - e que ultimamente vêm sendo vistas não como arte, mas sim como uma forma de investimento e ostentação.
Os especialistas e defensores da arte que quiserem torcer o nariz podem fazê-lo e com razão: a Monalisa perde o enigma de seu olhar, as expressões das mulheres de Renoir não têm a mesma profundidade. Mas em compensação, essa diferença pode causar uma outra impressão a quem adquire um quadro desses. Deixa de ser um Renoir (mesmo porque leva a assinatura de outro artista), mas nem por isso perde a beleza de sua composição. E é bom saber que ninguém consegue copiá-los à altura - não é justamente o fato de esses artistas serem inigualáveis que os levou a entrar para a história?
E por que investir em uma cópia de um quadro famoso quando se tem uma boa produção local, original e - principalmente - exclusiva? ''Nós não queremos tomar o espaço de ninguém. Apenas oferecemos obras de bom gosto com uma boa relação custo-benefício para todo mundo que se interessar'', afirma Vinicius, ressaltando que sempre informa seus clientes de que aquela tela não é exclusiva. ''Além disso, pretendo abrir um espaço em nosso site para que esses artistas possam divulgar suas obras e vendê-las diretamente ao cliente final, sem intermediários'', complementa.
Em sua loja, Vinicius tem seis mil telas diferentes, dentre obras famosas de Kandinski, Monet, Picasso, Dalí, Modigliani, Degas, Klimt e outras desconhecidas, mas também bastante procuradas, com temática que vai desde infantis a orientais e paisagens.
No site da empresa (www.lemarchand.com.br) ainda é possível fazer uma simulação com a pintura, a moldura e a cor da parede. Tudo para facilitar a escolha da decoração. Afinal, assim como Van Gogh e seus girassóis, dentre as pretensões dos grandes pintores também não estava a de deixar os ambientes mais bonitos por meio de sua arte?


