Formada em 1997 e atualmente composta pelos músicos Beto Barros (guitarra), Roger Toscana (guitarra), Marcelo Leite (baixo), Lucas Ricardo (bateria) e Fábio da Cunha (sax alto), a banda Búfalos D’Água é uma das precursoras desse movimento. "A gente começou tocando punk rock que tinha vocais em algumas canções. Mas depois de alguns anos decidimos investir apenas no instrumental para criar um diferencial, e passamos a tocar apenas surf music", conta o saxofonista Fábio da Cunha.
O músico lembra que o Búfalos D’Água surgiu em um período em que a cidade atravessava um boom de bandas locais e levou um tempo para conseguir formar seu público. "Tinha muita gente surgindo e nessa efervescência tivemos a oportunidade de nos apresentar em muitas festas, festivais e espaços alternativos. Aos poucos as pessoas foram conhecendo e se identificando com o nosso som", afirma.
Com 16 anos de estrada e cinco CDs lançados junto com a banda, o saxofonista diz que ainda hoje existem desafios para se tocar música instrumental na cidade. "A gente tem um público formado, mas seria impossível sobreviver apenas de música pois está cada vez mais raro encontrar espaços para tocar na cidade. É impossível uma cidade com meio milhão de habitantes ter leis municipais tão restritivas quanto à apresentação de artistas em locais públicos", queixa-se.
Apesar da insatisfação quanto às oportunidades de realizar shows, Cunha diz achar natural a resistência de algumas pessoas em relação à música instrumental. "Muita gente precisa do significado claro das palavras e a música instrumental proporciona um entendimento muito subjetivo. Isso só será mudado quando as pessoas tiverem mais acesso a esse estilo musical. O ideal seria ter nossas músicas tocando nas rádios, mas isso só acontece para quem paga jabá", critica.
Atualmente os integrantes da banda trabalham na divulgação do CD "Son of a Beach", lançado em 2013 somente com músicas autorais, enquanto compõe novas canções para um novo álbum a ser gravado no próximo ano. (M.R.)

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