Em 1994, os irmãos Farrelly realizaram um filme memorável por três fatos: foi a primeira comédia com QI abaixo dos padrões toleráveis para o gênero, foi o ponto de partida e influência para cruéis seguidores e a produção fechou o balanço da bilheteria mundial com 250 milhões de dólares em caixa. Nada mal para uma história patológica, e momento de glória para as multidões que lotaram os cinemas, movidas pelo desejo secreto de ver uma dupla de menos dotados (Jim Carrey e Jeff Daniels) bebendo urina e ficando com a língua presa num esqui congelado. Claro, uma sequela era comercialmente inevitável, mas nunca veio. Até agora, proporcionando o que parecia impossível: uma certa nostalgia do original.
E veio não como continuação, mas como antecipação. Convocando dois desconhecidos atores de televisão (Eric Christian Olsen e Derek Richardson) para interpretar Harry e Lloyd ainda adolescentes, o lançamento nacional ''Débi & Lóide 2'' (confira a programação de cinema na página 2) volta aos tempos de ''high school'' para encontrar os dois personagens se conhecendo na classe de ''necessidades especiais'' e sendo aproveitados maldosamente pelo diretor. Parece um tanto embaraçoso, certo? Mas o que acontece em seguida vai além de qualquer expectativa mais estapafúrdia.
O que diferencia ''O Dono da Festa'' de ''Débi & Lóide'' é que o primeiro é perfidamente ofensivo e o segundo mera e pateticamente infantil. Mesmo com esta circunstancial atenuante, a única forma de ver um ou outro desses filmes-refugo é de dentro de um escudo nuclear, sem janelas, de preferência localizado no meio de um deserto em algum planeta desconhecido de outro remoto sistema solar. Muito radical? Talvez, mas nada que se compare a chamar os dois personagens de idiotas, uma grave ofensa aos portadores desta síndrome psiquiátrica. (C.E.L.J.)

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