Debates ajudam a 'pensar' a dança, em busca da qualidade
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terça-feira, 23 de julho de 2002
Equipe da Folha 
Joinville - O 20º Festival de Dança de Joinville ainda não acabou, mas os organizadores do evento já pensam em mudanças para próxima edição. A mais importante e que tem muito a acrescentar é a ampliação da programação das palestras, cursos e workshops. Este ano, pela primeira vez, aconteceu um ciclo de palestras reunindo nomes importantes na dança nacional. A meta é que a partir do próximo ano, esse ciclo seja uma constante e não ocorra em apenas um dia como foi nessa edição.
O diretor executivo do Instituto Festival de Dança, que promove o festival, Ely Diniz, explica a alteração: ''Nosso objetivo é que os grupos não venham aqui apenas para competir, mas para pensar a dança'', justifica, complementando que ''é impossível um projeto progredir se não parar para refletir''. A explicação de Diniz não acontece por acaso. Depois de 20 anos ainda se questiona a qualidade dos espetáculos apresentados no festival, fruto, talvez, de uma seleção equivocada. Mas Diniz acrescenta: ''Se a qualidade não está boa, isso é um reflexo da dança brasileira''.
Quando se trata de detalhar as mudanças para a próxima edição, no entanto, o diretor prefere não comentar. Ele lembra que a comissão artística do festival, formada por quatro integrantes, começa a se reunir a partir de setembro para avaliar a recente edição e dar início ao desenho da próxima. ''Antes disso prefiro não falar'', diz limitando-se a adiantar apenas a ampliação no número e dias de palestras promovidas.
Este ano, o 20º Festival de Dança de Joinville ofereceu 37 cursos, oficinas e oito palestras, contabilizando quase 2 mil participantes nesses eventos. Já as noites competitivas, reuniram cerca de 4 mil pessoas por dia no Centreventos Cau Hansen. A participação do público não ficou nem aquém nem além da expectativa, mas a organização ainda aguarda o encerramento para fechar os números. Por enquanto, o Instituto Festival de Dança só comemora as mudanças orçamentárias nos últimos três anos, quando a Calvin, promotora, entre outras coisas, do Festival de Teatro de Curitiba, assumiu a promoção do evento.
''A Calvin tem a experiência que o festival necessitava'', disse Diniz, admitindo, no entanto, o mal-estar que paira na cidade sobre o fato de uma empresa curitibana promover o festival catarinense. ''Existe um certo bairrismo mesmo, mas isso já está passando'', ameniza.
Antes da empresa curitibana, agora dirigida por Victor Aronis, assumir a promoção do festival, o evento custava aos cofres da prefeitura R$ 2,7 milhões. Desde 1999, o orçamento reduziu para R$ 1,7 milhão. A diferença é que agora o festival acontece com recursos da iniciativa privada e apenas uma parcela da prefeitura, que gira em torno de R$ 700 mil. ''Hoje o festival se paga com os patrocínios'', conclui Diniz, ressaltando o feito como uma das principais mudanças dos últimos anos.(K.M.


