"A Londrina que temos, a Londrina que queremos" foi o tema do evento "Debatedores Mirins" deste ano. Seis alunos do quinto ano de escolas municipais mostraram que não é preciso ter muita idade para avaliar quais são os pontos positivos e negativos da cidade em que vivem. Com muita convicção, não titubearam nem um segundo para criticarem governantes, e até mesmo a população, dos problemas que o município enfrenta. Mas, ao mesmo tempo, souberam reconhecer as coisas boas que Londrina conquistou em oito décadas e o que esperam para os próximos anos.
O evento, realizado na última sexta-feira no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), faz parte do Programa Folha Cidadania, desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional ao estimular o hábito da leitura desde a infância. Atualmente abrange diretamente mais de 9 mil alunos do quinto ano e – de forma indireta – cerca de 48 mil alunos dos ensinos fundamental e médio. O programa está inserido em 136 escolas de 10 cidades do Paraná. Para o debate, foram convidados seis alunos, dois de cada escola municipal de Londrina, com média de idade de 10 e 11 anos.

ANÁLISE
Questionados sobre o que gostam na cidade, lembraram dos principais pontos turísticos como o Calçadão, Museu Histórico, Planetário e Biblioteca Municipal. "Gosto de passear no centro da cidade e ver aquele monte de gente andando. Costumo ir com minha família ou sozinho", disse o aluno Cristiano Jun Agata, da Escola Municipal Arthur Thomas, que chegou há três anos do Japão. Sobre as diferenças entre os dois países, ele destacou a comida mas, sobretudo, limpeza e segurança. "Lá não vemos lixo jogado no chão. As casas também não são separadas por muros, porque não tem perigo. Seria bom se fosse assim aqui também."
Embalados no tema da limpeza da cidade, as crianças disseram que a população precisa, urgentemente, ajudar com a separação do lixo. "A gente reclama que as pessoas jogam lixo no chão, mas também temos que fazer nossa parte em casa. Não adianta só colocar mais lixeiras nas ruas se ninguém respeita", defendeu Guilherme Paiva Ruiz, da Escola Municipal Melvin Jones. Ainda com relação ao tema, Aline Ayumi Sakai, da Escola Municipal Arthur Thomas, comentou que perto da sua casa, onde há árvores, as pessoas continuam desrespeitando o meio ambiente. "Acho que elas não têm noção do risco que é jogar o lixo", argumentou.
Se a separação do lixo foi amplamente criticada, o desperdício de água também não foi poupado. "O lixo acaba parando no lago; isso não pode acontecer. Estamos vendo São Paulo ter que racionar água o tempo todo. Mesmo que a gente tenha bastante aqui em Londrina, temos que evitar o desperdício para que isso não aconteça na nossa cidade", ponderou Aline.
Vitória Letícia da Silva, da Escola Municipal Leonor Maestri de Held, por sua vez, garantiu que recebe o exemplo em casa. "Não podemos esquecer nenhum minuto de cuidar do lixo e da água. É para o nosso futuro."

PLATEIA PARTICIPATIVA
Atenta ao que diziam os debatedores, a plateia não deixou escapar perguntas. Uma delas foi se o recolhimento de impostos resulta numa cidade melhor. Mostrando que estão por dentro dos últimos escândalos de corrupção no País, as crianças criticaram fortemente a situação. "Se o prefeito souber administrar bem os impostos, a cidade só tem a ganhar. O problema de tudo isso é a corrupção, porque a população paga os impostos, mas eles não são usados para melhorar a cidade. Os governantes pegam o dinheiro para eles", disse Cristiano.
Sobre isso, Guilherme também foi taxativo: "Se o prefeito ou o presidente quiserem, dá para fazer muita coisa. O dinheiro pode ser usado para construir mais hospitais, mais escolas e asilos para os idosos." Maria Eduarda Rodolfo, Escola Municipal Leonor Maestri de Held, emendou dizendo que as salas de aula têm mais alunos do que deveriam e os impostos poderiam ser usados na construção de outros espaços. "Meus pais dizem que a cidade tem muito potencial, mas precisa de investimento na educação. O imposto tem que ser usado para coisas assim."

PREFEITO POR UM DIA
Colocados na "parede" sobre o que fariam caso pudessem administrar a cidade, Aline garantiu que a primeira atitude seria aumentar o número de postos de saúde e hospitais para as classes mais baixas. "As pessoas que não têm muitas condições financeiras sofrem esperando horas na fila dos hospitais. Também tem o problema do bosque que, por causa das pombas, podem causar muitas doenças." Já Maria Eduarda dos Santos Eusebio, da Escola Municipal Melvin Jones, aproveitou o momento para dizer que a segurança seria sua "bandeira". "As pessoas, hoje, têm medo de andar nas ruas por causa da violência", completou.

Continue lendo:
- Espetáculo conta história pela dança
- Apostando na inovação
- LEITURINHA - Samba no céu
PALAVRA DE ESTUDANTE - O que você gosta na cidade de Londrina e o que mudaria para melhor?

mockup