Debate abre Festival Fausto no Instituto Goethe
São Paulo, 08 (AE) - Começa amanhã (09) o Festival Fausto de Teatro promovido pelo Instituto Goethe em parceria que o Centro Cultural São Paulo. O evento integra as atividades em homenagem aos 250 anos de nascimento de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e, até dezembro, reunirá sete montagens teatrais relacionados ao personagem medieval imortalizado pela obra de Goethe, todas com entrada franca.
Um debate sobre o mito de Fausto abre amanhã a programação às 20 horas com a participação de diretores que realizaram montagens sobre o tema e do crítico e ensaísta Sebastião Milaré. Entre os diretores estão Sérgio Carvalho e Márcio Marciano, responsáveis pelo texto e encenação de "O Nome do Sujeito", com a Cia. do Latão, uma das sete peças do evento (de 6 de novembro a 19 de dezembro). Carvalho e Marciano inspiraram-se no mito do homem que vende sua alma ao diabo a partir de uma versão nordestina para traçar um painel da formação da cultura brasileira.
Participa ainda do debate o diretor Amauri Falsetti cujo espetáculo, a comédia "Faustino", também se inspira numa versão do "Fausto" presente na literatura de cordel nordestina e integrará a mostra a partir do dia 24. A comédia conta a história de um ferreiro pobre que faz um pacto com Deus e outro com o Diabo. Entre o bem e o mal vai acabar descobrindo que ambos fazem parte da mesma moeda e não podem ser eliminados.
No debate de amanhã estarão ainda Renato Cohen, diretor de "Dr. Faustus Liga a Luz", e Wolfgang Pannek, diretor e cenógrafo de "Primeiro Fausto", de Fernando Pessoa. A primeira estreou no Centro Cultural São Paulo e será apresentada no Goethe a partir do dia 17 e trata-se da versão de Gertrude Stein para o mito do "Fausto". No original, Fausto faz um acordo com o mal para dominar a luz elétrica que ganhou a contemporaneidade da era eletrônica na encenação de Cohen com o Grupo K.
"Primeiro Fausto" estréia sexta-feira no Goethe com a Taanteatro Cia. sob direção de Pannek. Será a primeira encenação feita no Brasil de fragmentos poéticos de Fernando Pessoa inspirados no mito, escritos pelo poeta português entre 1908 até 1935, pouco antes de sua morte, e reunidos postumamente. Completa a mesa de debates a diretora Bernadeth Alves, responsável pela leitura dramática que ocorrerá amanhã da peça "A Última Encarnação de Fausto", de Renato Vianna.
"Essa peça tem uma importância histórica imensa, pois marcou a participação do teatro no movimento modernista de 22", afirmou Sebastião Milaré, que fará um introdução à leitura dramática. A peça foi encenada em dezembro de 1922 no Rio com partitura musical criada por Villa-Lobos. "Ele recriou o mito de Fausto para propiciar uma reflexão sobre aquele momento histórico vivido e também propôs uma nova estética", afirma Milaré.
Com a fundação do Teatro Escola, em 1934, Renato Vianna é considerado um precursor da renovação teatral que mais tarde seria levada adiante pelo Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e culminaria com a encenação de "Vestido de Noiva", em 1943, com o grupo de amadores Os Comediantes. "Apesar de sua importante contribuição para o teatro, Renato Vianna foi relegado ao ostracismo por pertencer ao grupo ligado a Getúlio Vargas", lembra Milaré. A leitura dramática de sua peça "A Última Encarnação de Fausto", dentro do festival, também tem como objetivo resgatar a importância de Vianna no panorama teatral brasileiro. (B.N.) Aerviço - "Primeiro Fausto". De Fernando Pessoa. Direção de Wolfgang Pannek. Duração: 50 minutos. Sexta e sábado, às 20 horas; domingo, às 19 horas. Grátis. Instituto Goethe. Rua Lisboa, 974 tel. 280-4288. Até 26/9. Estréia sexta-feira. Amanhã, às 20 horas, mesa-redonda Forever Fausto; sexta-feira, às 21 horas, leitura dramática de A Última Encarnação de Fausto.





