Traçar um paralelo entre a discriminação sofrida pelos negros no século XIX e nos dias atuais. Essa é a espinha dorsal do espetáculo "Nkali", que o Grupo Teatro do Oprimido de Londrina estreia no dia 1º de dezembro. "Queremos falar sobre a Balaiada, a revolta dos escravos negros ocorrida no Maranhão entre 1838 e 1841 e fazer um contraponto com o preconceito que, de formas distintas, continua sendo praticado até hoje", explica o pesquisador teatral Roberto Sales.
Ele salienta que a peça foi pensada devido ao relato de discriminações sofridas pelos alunos do grupo. "A maioria deles relatou situações de opressão sofridas por serem negros. Escolhemos a palavra ‘nkali’ para batizar o espetáculo porque, criada pela tribo Igbo, ela significa ‘ser maior que o outro’, enfatiza Sales.
O pesquisador acredita que o edital do Ministério da Cultura vai lançar será muito benéfico para incentivar debates sobre a discriminação racial. "Acho que todo instrumento que levante essa questão é válido. O preconceito continua existindo, mas a grande diferença em relação ao passado é que hoje existe essa consciência, e já se pode falar abertamente sobre isso para tentar combatê-lo", avalia. (M.R.)

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