DEBATE - Um dos 'explicadores' do Brasil
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Qual é a importância da obra de Caio Prado Júnior para a compreensão do Brasil? A questão será respondida durante um seminário em homenagem ao centenário de nascimento do historiador que acontece de hoje a quinta-feira na Universidade Estadual de Londrina.
As conferências serão realizadas a partir de 19h30 na Sala de Eventos do Centro de Ciências Humanas (CCH). ''Ele foi um de nossos maiores pensadores e exerceu grande influência nos estudos sobre a formação colonial e o Brasil contemporâneo. Deixou trabalhos abrangentes que discutem aspectos de história, economia e sociologia. É uma obra que continua atual'', diz Pedro Roberto Ferreira, professor do Departamento de Ciências Sociais e organizador do evento.
O tema de hoje, ''A contrapelo da tradição: a interpretação de Caio Prado Jr. do Brasil'', será abordado por Rubem Murilo Leão Rego (da Unicamp). Amanhã o cientista político Bernardo Ricupero (USP) acende a discussão em torno do marxismo no Brasil, com foco no legado do homenageado. Encerrando o encontro, na quinta-feira, Paulo Henrique Martinez (UNESP/Assis) levanta o questionamento ''História do capitalismo, história do mundo?''.
O centenário trouxe a obra de Caio Prado Júnior outra vez ao debate. Desde fevereiro, as universidades brasileiras vêm promovendo eventos em torno da efeméride. Ao lado de Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Hollanda , o historiador constituiu a santíssima trindade dos ''explicadores do Brasil''. Sua obra máxima, ''Formação do Brasil Contemporâneo'' (1942), ambiciona devassar a história do País, desde sua origens colonais até o período em que o autor escrevia o livro.
O estudo seria dividido em quatro volumes, mas só o primeiro veio à luz em 1943. Neste ano fundou - junto com Monteiro Lobato - a editora Brasiliense, pela qual publicaria vários de seus 16 livros. Em 1945, ele foi eleito deputado da Assembléia Constituinte pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), cujo mandato seria cassado em 1948. Em 1968, recebeu o título de professor livre-docente na USP com a tese ''Diretrizes Para Uma Política Econômica Brasileira''. O título seria cassado no mesmo ano pelo governo militar.
Embora fosse de uma das famílias mais tradicionais de São Paulo, cuja origem remonta ao Barão de Iguape (o primeiro Prado que se estabeleceu no Brasil, no final do século XVII), Caio Prado desde cedo fez a sua opção política pelo marxismo. Viajou para a Rússia em 1933, com o intuito de conhecer de perto o socialismo. Chegou a visitar todas as Repúblicas socialistas da Europa nesta viagem.
Bacharelou-se em Direito em 1928. Exerceu durante alguns anos a advocacia, mas logo passou a dedicar-se exclusivamente a estudos históricos e políticos, colaborando em revistas e jornais. Pioneiro na utilização de conceitos marxistas como fator explicativo para a compreensão da história do País, ele não se prendeu à ortodoxia apresentando uma análise audaciosa que refutava a tese da evolução histórica da sociedade a partir de etapas definidas e estanques.
Caio Prado não via o marxismo como um conjunto de fórmulas prontas com validade universal, mas como uma abordagem. Para ele, a complexidade histórica e social do Brasil trazia variáveis que não coincidiam com a de outros países - como a categoria ''patriarcado rural'', vinculada pelos marxistas ao modo de produção feudal, o que ele recusava. Suas idéias sempre representaram o que de melhor a intelectualidade local pode produzir.
Seu legado reúne os livros ''Evolução Política do Brasil'' (1933), ''Formação do Brasil Contemporâneo'' (1942), ''História Econômica do Brasil'' (1945), ''Dialética do Conhecimento'' (1952), ''Esboço dos Fundamentos da Teoria Econômica'' (1957), ''Notas Introdutórias à Lógica Dialética'' (1959), ''Revolução Brasileira'' (1966), ''O Mundo do Socialismo'' (1968), ''O Estruturalismo de Levi-Strauss, O Marxismo de Louis Althusser'' (1971), ''História e Desenvolvimento'' (1978), ''A Questão Agrária'' (1979), ''O que é Liberdade'' (1980), ''O que é Filosofia'' (1981) e ''A Cidade de São Paulo'' (1983). A maioria dos títulos continua em catálogo da editora Brasiliense.
Caio Prado Jr. morreu no dia 21 de novembro de 1990, em São Paulo.
Serviço:
- Seminário 100 Anos Caio Prado Júnior
Quando: De hoje a quinta-feira, às 19h30
Onde: Centro de Eventos do CCH da UEL
Inscrições: R$ 5,00
Informações: Tel. (43) 3371-4456 ou 3324-5116


