DEBATE - Em discussão, a música brasileira
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Tido como referência musical lá fora, não restam dúvidas, também, de que o Brasil é um dos principais celeiros de cultura do mundo. Mas que visão os próprios brasileiros têm a respeito disso? Percorrendo 30 mil quilômetros do País, o Itaú Cultural, por meio dos seminários Rumos Música, buscou compreender e identificar as dificuldades - bem como tomar conhecimento de criativas soluções - que músicos e produtores culturais de todas as capitais (além de Campinas e Uberlândia) se deparam frente a um universo comum: a música brasileira e suas vertentes.
Na próxima sexta-feira, Londrina será a primeira, de 50 cidades, a sediar o Seminário Rumos Música Itaú Cultural 2007-2009, com apoio institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Casa de Cultura e o Departamento de Música e Teatro/Ceca. O evento vai acontecer no anfiteatro da Associação Médica de Londrina, com a apresentação do documentário da série anterior, além de palestras com profissionais da área.
''Londrina é um pólo cultural, mas, no momento, o que se observa é uma passividade. Este encontro é importante, inclusive, para mostrar aos agentes culturais que é possível produzir sem depender do poder público. Viajando com os seminários em 2004, eu percebi que tem uma grande quantidade de jovens e produtores de música underground que está na luta, fazendo cultura'', destacou Janete El Haouli, coordenadora do evento em Londrina.
Para falar sobre ''Experiências e Alternativas na Música Brasileira'', Pablo Capilé, diretor do Espaço Cubo/ MT e membro da Abrafim (Associação Brasileira dos Festivais Independentes de Música) e do Circuito Fora do Eixo, irá compartilhar as experiências adquiridas como diretor do espaço que apresenta uma teia de ações culturais.
Dividindo o assunto, Edson Natale, gerente do núcleo de Música do Itaú Cultural, cantor e escritor, irá relatar as vivências do seminário anterior. ''Vamos apresentar o que detectamos das questões passadas e o que pretendemos com essa nova caminhada. Não é um tipo de seminário para dizer que Londrina está carente, mas abrir espaço para que as pessoas possam compartilhar suas idéias e apresentar iniciativas pontuais, com a intenção de que elas sejam replicáveis e, em parte, utilizáveis na cidade'', ponderou Natale, destacando que o Espaço Cubo apresenta uma maneira peculiar de se fazer cultura.
Na sequência, aproveitando a onda de sites como YouTube, será abordado o tema ''Mídias Alternativas, Tecnologia e o Futuro da Música'', por Israel do Vale, jornalista cultural e diretor de produção e programação da Rede Minas de Televisão. Israel também assina um artigo no livro, cujo título é ''In(ter)dependência ou Sort-E''. ''O futuro da música (tanto do ponto de vista dos negócios como da criação artística), ladies and gentlemen, está sendo reinventado a olho nu, ao vivo e em cores'', refletiu.
Segundo Janete, o fato de Londrina ter sido escolhida para sediar um seminário do Itaú Cultural é um grande avanço. ''Quando o Natale me propôs trazer o Rumos pra cá, eu procurei o reitor da UEL, Wilmar Marçal, que imediatamente ofereceu apoio institucional, além da atual diretora da Casa de Cultura da UEL, Maria do Socorro Seifert, e a Cleusa Cacione, do Departamento de Música e Teatro. Vamos trazer também, entre março e abril, os seminários de Literatura e Jornalismo Cultural. Espero que seja um incentivo para que as pessoas reflitam e criem outras formas de produção cultural'', completou.
A coordenadora revela, ainda, que os docentes do curso de Música da UEL vão participar do evento, já que fora integrado às atividades acadêmicas.
O seminário anterior resultou em diversos produtos: um livro com textos de 31 autores que desenvolvem atividades na área musical - entre eles, Janete, que discursa sobre o rádio; o documentário ''Rumos Brasil da Música - 30.000 km pelo Brasil''; o box ''O Brasil em Nove CDs'', com cem músicas dos grupos selecionados (Pop, instrumental, eletrônico, MPB, indígena, música feita com enxadas, etc) e dois DVDs com a apresentação musical de cada um. Todos os produtos são distribuídos gratuitamente para universidades, pesquisadores, instituições culturais, fundações, rádios e TVs.
Articulação, informação, difusão e conspiração coletiva. Com milhares de quilômetros musicais percorridos fica a impressão de que realmente deve haver um mercado para a música brasileira em seu país de origem. ''A Terra é farta, a colheita é fértil, mas faltam estradas. Quem se habilita a construí-las?'', indaga Natale.


