O debate sobre a 28 Bienal de São Paulo, marcada para outubro e novembro de 2008, está aberto. No início deste mês, Ivo Mesquita foi anunciado como curador da próxima edição da mostra. Afirmou que seu projeto vai propor, antes de mais nada, uma reflexão sobre o papel de um evento (e de uma instituição) que tem sua história iniciada em 1951. Seu projeto, Em Vivo Contato, tem um item polêmico: deixar o segundo andar do pavilhão da Bienal de São Paulo vazio durante o período que seria o da mostra. Uma Bienal sem obras de arte expostas.
Artistas, curadores e historiadores opinaram sobre o ''vazio'' e sobre as ressonâncias desse projeto. Entre eles, as artistas Anna Bella Geiger, Lia Chaia e Leda Catunda; o crítico e historiador Tadeu Chiarelli; o arte-educador Paulo Portella Filho; e o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, que assinou a curadoria-geral da recente 6 Bienal do Mercosul.
Ivo Mesquita afirma que já esperava que seu projeto pudesse fazer reverberar opiniões diversas. ''É importante o debate, dá para ver que a Bienal mobiliza mesmo as pessoas, até mais que o Masp'', diz - ironicamente, faz a ligação entre duas instituições problemáticas, sempre encravadas em crises.
Para o curador, sua 28 Bienal não será vazia. ''Haverá sempre algo para as pessoas fazerem por lá'', diz, referindo-se ao ciclo de conferências que ocorrerá durante o evento e à exposição dos Arquivos Históricos Wanda Svevo (da Fundação) - ''com intervenções de artistas'' -, no terceiro piso; além da ''praça'' (no térreo e primeiro piso), que vai abrigar espaço para ''video-lounge'' e para uma programação diária que incluirá performances, projetos cênicos e outros eventos.
Enfim, não haverá quase nada de estático na 28 Bienal, garante ele. O projeto, com orçamento ''possível'' de ''US$ 3,5 milhões ou US$ 4 milhões'', diz Mesquita, ainda prevê quatro publicações: catálogo sobre as intervenções de artistas e performances, livro sobre as conferências, volume sobre a história da Bienal e inventário da instituição.

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