Com um discurso bastante provocador, o ator e dramaturgo Hugo Possolo, do renomado Grupo Parlapatões, de São Paulo, participou da programação da 3 Conferência Municipal de Cultura, que termina hoje. Na quinta-feira, no Teatro Zaqueu de Melo, ele teve como mediador Sílvio Ribeiro, diretor da Escola Municipal de Teatro (EMT). O tema era a experiência da Cooperativa Paulista de Teatro e o movimento Arte Contra a Barbárie, mas Possolo também avançou sobre o papel do artista como cidadão e não se intimidou em afirmar que o ator e a qualidade do seu trabalho são os principais elementos responsáveis pela criação da demanda de público. Inconformado com um tipo de teatro que não provocava mudança no espectador quando era ator comercial de peças infantis , decidiu investir no teatro de rua e, mesmo com as dificuldades encontradas, defende que o ator de verdade deve ter coragem de abandonar os padrões convencionais de conforto e não ter medo de ''passar o chapéu'' para sobreviver recurso ao qual muitas vezes ele teve que recorrer. Para ele, é fundamental que o artista procure ter um trabalho continuado e não apenas se dedicar a espetáculos eventuais.
Na sua palestra, explicou sobre as vantagens que o sistema de cooperativa que exige pelo menos 20 pessoas físicas e um estatuto pode oferecer à classe teatral. Fundada em 1977, a Cooperativa Paulista de Teatro reúne hoje 600 grupos, com aproximadamente dois mil cooperados. ''Por sua representação jurídica, a cooperativa reduz os encargos sociais dos grupos e também oferece maior visibilidade e força política aos seus integrantes'', afirmou. Ao final da explanação, um jornalista comentou que no ano passado, diante do risco de corte em 20% nos projetos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) o que se confirmou , houve uma tentativa de organização de uma cooperativa em Londrina, mas que, ''por falta de interesse da própria classe teatral'', o projeto não prosseguiu.
O movimento Arte Contra a Barbárie, do qual Possolo foi um dos fundadores em 1998, mas atualmente não faz parte, foi uma organização de reação da classe artística contra a privatização do dinheiro público na área de cultura. Como resultado, foi elaborado o projeto da Lei do Fomento ao Teatro, que hoje é a única forma de financiamento público em São Paulo, já que o Fundo Estadual de Cultura ainda não está atuando devido a questões burocráticas e políticas.
Durante a palestra, algumas pessoas também fizeram críticas ao Promic - Programa Municipal de Incentivo á Cultura - como a falta de condições adequadas de trabalho e o valor de teto para as encenações, o que Possolo refutou dizendo que o modelo de Londrina é um dos mais avançados do País e que caberia à classe artística procurar aproveitar melhor a estrutura que já é disponibilizada.
Por outro lado, criticou veemente a Lei Rouanet. ''É uma lei errada que não responsabiliza o Estado pela sua função prioritária de promover cultura. É uma forma de permitir que a empresa privada faça marketing com o dinheiro público'', destacou, isso porque os patrocínios aos projetos são decididos pelos empresários do setor privado que, muitas vezes, privilegiam o que já faz sucesso - e consequentemente dá mais retorno - em vez de apoiar projetos iniciantes ou experimentais. Dentro de um novo entendimento, um processo como o de Londrina, que tem um Fundo de Cultura, cria demandas diferentes que contemplam um número maior de artistas.


PROGRAMAÇÃO DE HOJE

- 9h - Votação / 3º Conferência de Cultura de Londrina
Local: Teatro Zaqueu de Melo

- 17h - Paulão Rock’n’ Roll comanda o show Papo de Rock II com as bandas Jigo & Rei, Zazou Blues e The Liris.
Local: Zerão

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