DEBATE - As diversas nuances da música brasileira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de março de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Estão cada vez mais consolidados os pilares que fazem de Londrina um pólo cultural do Paraná. Basta citar alguns dos principais eventos que integram a agenda da cidade: Festival Internacional de Londrina (FILO), Festival de Jazz, Festival de Dança, Encontro de Corais, além dos festivais independentes - que há pouco ganhou uma página na versão nacional da revista especializada Rolling Stone (nº4, Janeiro/ 2007).
Abrindo espaço para que músicos, agentes culturais e interessados possam discutir nuances que envolvem a música brasileira, acontece hoje à tarde, o Seminário Rumos Música Itaú Cultural. Durante a programação, alguns profissionais que estão diretamente conectados à música vão compartilhar suas experiências. O jornalista cultural, e também diretor de produção e programação da Rede Minas de Televisão, Israel do Vale, vai discorrer sobre o tema ''Mídias Alternativas, Tecnologia e o Futuro da Música''.
Antecipando alguns pontos à Folha2, Israel revela que o momento atual indica que os velhos caminhos já não servem mais. ''Ou que pelo menos eles já não são a única opção. Se de um lado não há nada que possa resolver a vida de artistas independentes no atacado e numa tacada só, por outro são cada vez mais variadas as formas de se afirmar artisticamente'', completou.
Segundo ele, as ferramentas tecnológicas que brotam com rapidez admirável - YouTube, Myspace, Trama Virtual, entre outras - são apenas a ponta do iceberg. ''Mas qualquer desses caminhos também não vai viabilizar sozinho a carreira de ninguém. O que artistas e produtores do cenário independente precisam entender é que os velhos modelos ruíram, e que eles têm tanta responsabilidade quanto todo o suposto velho mercado no novo modelo que vier a surgir. Se eles não se mexerem, este novo modelo vai apenas reproduzir todo concentracionismo que sempre imperou'', declarou.
Israel também relata que o desafio é sobreviver em um momento de impasse sem que haja um novo modelo de negócio instituído capaz de bancar a sobrevivência de artistas emergentes. ''Minha percepção, como alguém que passou os últimos 20 anos em redações de jornais ou revistas de São Paulo e Minas Gerais, é que, se quiser sobreviver, a comunicação de massa vai ter que se relacionar melhor com nichos específicos da sociedade. É nisso que os novos agentes da comunicação estão interferindo'', refletiu.
Para o jornalista, se o artista não souber construir sua própria rede ou inserir-se de maneira afirmativa e consequente em redes que se relacionem com o público com o qual ele tenta se comunicar, estará selando sua 'morte'. '' A internet ainda é, acima de tudo, um instrumento de promoção - web-radios inclusas. Mas isso não é pouco para quem vem de um contexto de exposição zero na mídia para, pelo menos, 90% dos artistas, e da imoralidade e ilegalidade das rádios movidas a jabá'', ponderou.
Serviço
- Seminário Rumos Música Itaú Cultural. Hoje, a partir das 14 horas (é recomendado que os interessaos cheguem com meia hora de antecedência), no anfiteatro da Associação Médica de Londrina (Praça Primeiro de Maio, 130). Entrada franca.


