DEBANDADA Criando uma unidade própria através da arte
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Tudo aquilo que não se sabe nominar é indefinido, mas isso não significa que não exista. Quem não conhece a palavra angústia vai senti-la da mesma forma, embora diga apenas que está se sentindo meio ''estranho''.
Para trabalhar as sensações indefinidas, as artes plásticas, depois de conhecer verdadeiros gênios e se desenvolver em estilos, passaram a explorar novas linguagens e formas. Para provocar e incitar as pessoas, colocando-as em contato com a própria humanidade, essa arte vale-se do visual, mas também do sonoro, do tátil e principalmente de uma essência invisível a ligar todas essas linguagens. É assim nas intervenções, projeções e performances das artes contemporâneas.
Essa abertura possibilitou uma maior interação entre artistas, e o que se vê hoje é a proliferação de uma nova forma de produção: o coletivo - um grupo de artistas que se reúne para criar uma obra em conjunto, aproveitando a multiplicidade de opiniões. ''O coletivo é uma forma de viabilizar nossas ideias em grupo. Tem uma força maior pela interação entre as pessoas, gerando um fluxo de criação em que se dissolve a questão da individualidade. Unidos, temos uma unidade própria'', definem o integrantes do coletivo Manada, criado em março deste ano em Londrina para ocupar espaços públicos com arte.
O Manada é composto pelos estudantes de Artes Visuais Alissar Ayoub, Camila Melara, Cristina Taniyama, Cinthia Santana, Estela Tiemy, Hígor Meja, Juliana Motta, Julie Guerrini, Leonardo Gutierres, Letícia Albanez, Mavi, Marcio Diegues e Pipoca, além de Fernanda Magalhães, que não apenas disponibilizou o espaço da Casa de Cultura para os encontros como também aderiu ao grupo.
A primeira aparição do Manada aconteceu na terça-feira, abrindo a programação do ''Debandada'', evento aberto ao público que inaugura a Casa de Cultura da UEL - Divisão de Artes Plásticas. Com ''A Bolha'', o coletivo propôs ao público uma experiência sensorial interativa. Uma enorme bolha de plástico se movimentava diante das pessoas, englobando algumas, até que voluntariamente o público começou a entrar lá dentro. ''É uma manifestação pacífica, sensorial, lúdica e estética'', definiram. Idealizada inicialmente por Mavi e Estela Tiemy, dentro do coletivo a Bolha ganhou, segundo Mavi, força na mão-de-obra, suporte para a apresentação, novos conceitos e ideias.
A performance despertou no público vários sentimentos inominados, pontuados por pequenas doses de racionalidade. Alguém perguntou se era hora da missa (a performance começa com badalar de sinos), outro quis tirar o ventilador do canto (mas fazia parte do trabalho), uma jovem timidamente esticou o braço para tocar o plástico que passava a seu lado.
A vontade e o receio de interagir, de penetrar naquele mundo fechado e ver como é lá dentro, devem ter rendido dezenas de reflexões diferentes. Uma mulher teve medo de sentir falta de ar, outra incomodou-se por ter pisado no plástico, um estudante pediu uma cópia da trilha sonora. Alguém saiu e chamou o amigo: vem que é muito gostoso lá dentro. E mesmo quem só achou tudo aquilo muito ''estranho'', no fundo também foi contaminado por uma mistura de várias sensações, feito uma nova mutação de um vírus ainda sem nome que a gente carrega sem perceber. E a arte seguiu seu rumo.
Evento segue até sexta
O evento Debandada continua até sexta-feira, sempre às 18h30. Hoje o coletivo Manada apresenta ''Para conservar meus bens - presente'' e ''Experimentações Projeção''. Amanhã a atração será a videoinstalação Ofelia, com trechos da apresentação do bailarino londrinense (radicado na Alemanha) Anderson Casagrande, feita no Estúdio Kazuo Ohno no Japão, com edição da Kinoarte. A divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura fica na av. JK, 1973. A entrada é livre.


