De volta para o passado
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
Se no Brasil, Regina Guerreiro, Costanza Pascolato e Glória Kalil fizeram e fazem a história da moda brasileira, no mundo, o nome de Diana Vreeland (falecida em 1989) ainda hoje é lembrado e respeitado. Editora da Harper's Bazaar, Vogue e consultora do museu Metropolitan de Nova York, Diana é ícone absoluto - até inspirou uma personagem no filme ''Cinderela em Paris'', com Audrey Hepburn e Fred Astaire.
Para o verão 2004 de Lino Villaventura, a imagem da famosa editora serviu de referência para criar e ser feliz. Mas claro que o estilista vai além quando mistura a elegância de outrora com um perfume oriental. As modelos passeiam de turbantes, óculos escuros e muitos colares de brilho fosco.
Ninguém pode negar que os japoneses adoram tecnologia. Jum Nakao não nega a raça e apresenta um tecido no qual a estampa aparece aos poucos na medida em que o tecido vai se desgastando. Suas bailarinas de caixinha de música chegam de patins e as atletas ganham roupas bacanas para irem à academia. Mas as sedentárias não precisam fazer bico, a linha sportswear de Jum pode (e deve) ser usada além dos domínios da malhação. Destaque para as jóias de plástico que podem ser usadas sob a roupa ou coladas nela e aí viram rendas moderninhas.
Um refresco para as garotas (tanto para as modelos quanto para a platéia), porque Rodrigo Fraga só faz moda masculina para adultos e, a partir desta coleção, também para os pequenos. O VJ Cazé, modelo por um dia, é o primeiro a dar a dica: os casacos são dupla face. E como a estampa é de uma foto antiga, o avesso usável é acetinado, tal e qual os ternos de décadas passadas.
E por falar em passado, a década de 80 já virou tema recorrente. Não por acaso, a abertura do desfile da Forum mostra uma mulher dançando sensualmente atrás de uma persiana. Lembrou de 9 1/2 semanas de amor? Pois quem entra é a loira Raquel Zimmerman de vestido vermelho curto colado ao corpo. Os corpetes completam o verão sexy de Tufi Duek.
Se Eminem pode ser rapper, Reinaldo Lourenço também pode brincar com o hip hop. Estão lá as grossas correntes douradas dando brilho à roupa tipo baliza de fanfarra. Se não tinha o som do repique, tinha a prefeita Marta Suplicy na platéia. Ou seja, desfile oficial mesmo. As flores de Reinaldo ganham um upgrade com os paetês.
Brasileiríssima, a nordestina Fernanda Tavares já rodou as passarelas do mundo muitas vezes. Mas, ao desembarcar no Brasil, desfilou na quarta-feira para a Zoomp vestida de índia mexicana. Na viagem da grife, os ponchos e degradês (em vermelho e marrom) dão o tom da inspiração. Para a grife, o patchwork tem um jeito diferente: são círculos sobrepostos e aplicados, assim como a peça toda branca usada pela top no encerramento do desfile. Feliz por desfilar em casa, Fernanda era só sorrisos, o que acabou contagiando a platéia, que mesmo depois de oito desfiles, ainda tinha fôlego (quase à meia-noite por conta de dois atrasos sucessivos) para aplaudir.
Talvez porque as pessoas tenham se energizado no desfile da Água de Coco. Apostando na cromoterapia, a grife cearense garante que dá para controlar humor e estado de espírito com as cores. No caso, a passarela vem cheia de amarelo, vermelho, azul e depois acaba misturando tudo.
Também, se a pessoa está na praia ou na piscina não tem como estar de mau-humor.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.


