De volta 'O Homem que Copiava'
Quem não viu no lançamento não pode ficar sem. Agora é a hora, com esta oportuna reposição a partir de hoje na cidade (veja a programação de cinema na página 2). Jorge Furtado, já incluído nas antologias dos melhores filmes de todos os tempos com o curta metragem ''Ilha das Flores'', passou naturalmente para o longa e mais naturalmente ainda se deu bem. Aliás, muito bem. Sua estréia, ''Houve Uma Vez Dois Verões'', é uma das grandes e flagrantes injustiças desses tempos de final da retomada do cinema brasileiro: comédia ágil e inteligente, o filme foi mal lançado e ainda encarou a má vontade de parte da crítica, que considerou a narrativa excessivamente ''televisiva''
Neste seu segundo longa, Furtado mostra que a invenção de cinema aplicada ao clássico ''Ilha das Flores'' não foi mero acaso. Em ''O Homem Que Copiava'' ele parte de um quase nada banalizado e dinamiza a trama com um surpreendente caráter experimental. Rapaz se apaixona por moça e faz qualquer negócio para arranjar dinheiro e fugir com ela. Este é o argumento. Mas então entram os incrementos. Em pouco tempo, o espectador está nos braços do saudavelmente novo.
André (Lázaro Ramos, de ''Madame Satã''), faz cópias numa papelaria. Ele é fotocopiador. Todo dia, centenas de cópias. Todo dia, as brincadeiras com Marines, a bela colega de trabalho (Luana Piovani), os desenhos que faz no seu quarto e o momento de espiar pela janela a vizinha Silvia (Leandra Leal). Ele é apaixonado por ela. André é classe média baixa, jovem típico brasileiro. Seus problemas do dia a dia dia são os mesmos de milhões como ele no Brasil: falta de grana e de perspectivas, multiplicada pelos sonhos de consumo impostos pela propaganda. Mas ele ainda assim sonha com o amor de Silvia.
E para chegar a conseguir o amor dela ele precisa só de 38 reais, o preço de um presentinho. Mas esta operação vai gerar outros e outros acontecimentos. Uma espécie de jogo que vai acirrar a cobiça de Marines e Cardoso (Pedro Cardoso). Habilidoso como sempre no trato da coisa cinematográfica e tirando da cartola uma fieira de influências de boa procedência, Jorge Furtado vai tecendo sua trama, sempre cheio de novidades. Propõe estimulantes jogos ao espectador, oferece soluções narrativas surpreendentes, ilumina o caminho com ironia e comédia, dita regras e as quebra logo adiante, arruma e desarruma para o permanente prazer da publico. Se você quer algo novo e prazeroso, e que fale português (gauchês, para ser mais preciso), experimente ''O Homem que Copiava''.(C.E.L.J.)





