Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Depois de 14 anos sem expor em Curitiba, o escultor curitibano Luiz Gagliastri mostra a sua produção dos últimos cinco meses inaugurando a Galeria Um Lugar ao Sol. ‘‘Milenium’’ agrega esculturas e telas que ficam expostas de hoje até o dia 14 de maio.
Cem esculturas, cinco painéis e diversas telas, compõem esta volta às galerias curitibanas. ‘‘Na verdade, estou muito desapontado com a cidade e o País, no que se refere à política e Justiça. O Brasil possui mestres com capacidades infinitas, mas não os valoriza, ao contrário, os estraçalha. Só investe na anticultura’’, reclama.
Gagliastri explora, no seu trabalho, o que chama de figurativo surreal, dentro de características próprias. ‘‘É o expressionismo sem seguir a linha acadêmica, mas pegando a idéia do surreal, como as cabeças muito pequenas que flutuam sobre uma base de rocha’’, define.
Para esta exposição, o artista plástico traz, entre outros, um São Francisco saindo de dentro da rocha. ‘‘Que vai além da configuração.’’ Uma outra escultura, de David, em bronze e alumínio é acadêmica. Mostra um segundo de reflexão antes de atirar a pedra, mas com a certeza da vitória.
As peças são todas únicas, moldadas em gesso e finalizadas em mármore sintético e bronze. A fonte de inspiração do escultor é a figura humana, tanto homens quanto mulheres. Há ainda um Moisés Coração Divino em mármore, bronze e alumínio, que pesa cerca de 100 quilos e mede 1,5 metro de altura. Outras, são Dom Quixote e bailarinas. A Galeria Um Lugar ao Sol foi projetada sob a orientação do escultor, com detalhes específicos de iluminação e na área externa.
Os quadros de Luiz Gagliastri serão expostos pela primeira vez no Brasil. Em acrílica sobre tela, são abstrações puras. Uma nave-mãe no centro de 12 quadros que constituem as constelações do zodíaco. ‘‘Essa nave-mãe é a minha preferida’’, confessa.
Definido pelo próprio artista como o maior centro cultural da América Latina, o escultor pretende inaugurar em agosto o Centro Cultural Gagliastri, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Um prédio em forma de pirâmide asteca com 15 metros de altura, em concreto e painéis de vidro, já está pronto. Falta ainda terminar o escritório e o museu memorial. ‘‘É um projeto arrojado para todas as artes. Haverá ainda um anfiteatro com 400 lugares e um jardim para esculturas de 37 mil metros quadrados. ‘‘Todo o dinheiro investido é fruto do meu trabalho e vem dos mercados estrangeiros’’, esclarece sem, no entanto, dizer de quanto é o orçamento.
Para a inauguração, Gagliastri prepara uma série em mármore, ainda sem tema definido.
Exposição ‘‘Milenium’’, do artista plástico Luiz Gagliastri. De hoje ao dia 14 de maio, na Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, Rua Jayme Reis, 134 - Largo da Ordem.Ausente do mercado curitibano há 14 anos, o escultor Luiz Gagliastri abre hoje exposição que inaugura uma nova galeria
Divulgação‘‘Mulher Rocha’’, escultura de Luiz Gagliastri em bronze e marmorite (0,85)Divulgação‘‘São Francisco’’, escultura de Luiz Gagliastri em bronze e marmorite (1,13)

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