De volta aos tempos do café
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quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Sid Sauer<BR>Enviado a Fênix 
Durante mais de 20 anos, a fazenda Água Azul, entre Fênix e Quinta do Sol (Noroeste do Estado) foi uma grande produtora de café. Ela tinha 295 mil pés de cafés plantados e 45 casas construídas para os colonos que trabalhavam na lavoura. A partir da geada de 1975, o café foi sendo substituído, até desaparecer por completo da propriedade em 1984. Hoje, o que restou da estrutura dos tempos do café é atração para os turistas. Uma verdadeira volta ao passado.
Os turistas que procuram a fazenda-hotel são hospedados em chalés montados nas casas dos antigos colonos. Das 45 casas que a fazenda chegou a ter até 1977, hoje restam 14. São casas simples, de madeira, a maioria ainda com banheiro do lado de fora. A antiga Escola Municipal Castro Alves, que funcionava dentro da fazenda e que também funcionava como capela, hoje é o refeitório do hotel. A tulha virou centro cultural. O abrigo do gerador hoje é um museu.
Em frente ao velho terreirão, onde o café era secado, foram montados mais cinco apartamentos quatro na casa grande e um no antigo escritório. Quem for à fazenda Água Azul, no entanto, não deve esperar nenhum luxo. Os móveis dos chalés foram feitos na própria fazenda, utilizando a madeira de árvores caídas numa mata nativa de 289 hectares existente na propriedade. O ''conforto dos tempos modernos'' é representado apenas por um frigobar.
Em todas as 14 casas dos antigos colonos, cercadas por um impecável gramado, foram mantidos na cozinha os fogões a lenha, hoje usados como lareira pelos hóspedes. No refeitório montado na antiga escolinha, tudo também é rústico e feito na própria fazenda. O café da manhã, o almoço e o jantar são repletos de comidas caseiras. Para a sobremesa, uma infinidade de doces e compotas preparados no local.
Mas não é somente a volta ao passado e as lembranças dos tempos áureos do café que chamam a atenção na fazenda. Há também o contato com a natureza. São 289 hectares de mata virgem e outros 36 hectares de reflorestamento com essências nativas. Em meio a essa floresta, estão 7 quilômetros de trilhas. Algumas curtas e simples, para crianças. Outras longas e difíceis, que passam por quedas d'água e obrigam até o uso de cordas para superar obstáculos.
A mata é a maior paixão do dono da fazenda, o engenheiro florestal Johan Gabriel Berg von Linde, 75 anos, um sueco que chegou ao Brasil em 1956 atraído pelas florestas tropicais. Ele adquiriu a fazenda em 1966 e, como primeira ordem, proibiu a derrubada da mata. Hoje, devido ao reflorestamento, a área de floresta é maior do que há 35 anos, e abriga diversos tipos de animais silvestres. Há quem jure ter visto, há menos de um ano, até uma onça parda no local.
Além de tranquilidade e muito verde, a fazenda Água Azul oferece uma série de atividades, incluindo 4,5 quilômetros de bóia-cross no rio Arurau, dependendo do nível da água. Há passeios a cavalo e de charrete, piscinas adulto e infantil, pescarias em rio, córrego e açude, descida em cabo de aço, casa de árvore, campo de futebol suíço, quadra de vôlei de areia, pista de bocha e uma vista panorâmica de 16 cidades durante a noite.


