Os Paralamas do Sucesso concluíram, na semana passada, no estúdio AR, no Rio, as gravações das bases de seu próximo CD. Será o 15º em uma carreira de 20 anos, a serem festejados em setembro. Durante os próximos meses, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone estarão finalizando o CD, que tem lançamento previsto para o último trimestre deste ano.
Produzido por Carlo Bartolini (que produziu, entre outros, Ira!, Black Alien e o disco-solo de Herbert Vianna), o novo CD dos Paralamas ainda não tem título definido e o repertório também não está fechado. O grupo gravou 20 canções, mas não pretende utilizar todas no álbum.
Segundo os assessores de Herbert Vianna, ele está cantando e tocando normalmente, ‘‘como antes do acidente’’. Herbert caiu de ultraleve durante um passeio sobre o mar em Mangaratiba, litoral sul do Rio, em fevereiro de 2001. Sua mulher, Lucy, morreu no acidente. Seu único problema continua sendo a memória curta. Herbert canta em todas as faixas e compôs uma canção recente para o disco. Todas as outras foram compostas antes da queda do ultraleve.
O tecladista João Fera participa de algumas faixas, mas este será eminentemente um disco dos três Paralamas, uma decisão que já tinha sido tomada antes de Herbert cair de avião no litoral do Rio de Janeiro.
Também está acertada uma turnê após o lançamento do disco. Os Paralamas voltarão à estrada, mas Herbert continua com problemas de locomoção e vai tocar guitarra sentado.
Herbert Vianna já tinha feito sua primeira gravação desde o acidente em março. Ele gravou uma participação no novo CD de Lulu Santos, que deverá se chamar ‘‘Programa’’ e vai ser lançado ainda este semestre. Além de Herbert e Lulu, tocaram os outros dois Paralamas, Bi Ribeiro e João Barone.
Os Paralamas do Sucesso tornaram-se, em 20 anos de existência, a maior banda brasileira – e uma das maiores também na Argentina, onde têm um grande fã-clube. Têm como rivais, hoje, apenas bandas já extintas, como o Legião Urbana, contemporâneos de sucesso nos anos 80.
Começaram a tocar em 1981, em Brasília. Depois, mudaram-se para o Rio de Janeiro e mandaram uma fita demo para a Rádio Fluminense, pioneira em lançar novas bandas de rock. Com a música ‘‘Vital e Sua Moto’’, tornaram-se hit instantâneo e Herbert Vianna pôde largar o emprego de despachante no aeroporto do Galeão.
Em 1983, pela EMI (sua gravadora até hoje e que deve lançar o novo álbum da banda), puseram no mercado o álbum ‘‘Cinema Mudo’’, que teve razoável sucesso. Mas o reconhecimento veio com o segundo disco, ‘‘O Passo do Lui’’, de 1984, que chegou a ser incluído em relação de críticos dos anos 90 como um dos mais importantes do rock brasileiro. O disco trazia alguns dos seus maiores sucessos, como ‘‘Óculos’’, ‘‘Meu Erro’’, ‘‘Ska’’ e ‘‘Romance Ideal’’.
Em 1985, lançaram um disco que já levava o seu rock para uma fusão com elementos da MPB e do reggae, ‘‘Selvagem?’’, talvez o mais importante de sua carreira. O álbum vendeu mais de 700 mil cópias e emplacou canções como ‘‘Alagados’’ e ‘‘Melô do Marinheiro’’.
Herbert Vianna também começou a assumir o papel de importante interlocutor dos jovens junto às instituições brasileiras, fazendo uma música de protesto engajada que causou polêmica, ‘‘Luís Inácio (300 Picaretas)’’, composta a partir de uma frase do então deputado Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.
Um dos três discos-solo de Herbert, ‘‘Ê Batumar꒒ (1992) antecipou o interesse do rock por ritmos nordestinos e fusões com gêneros folclóricos do Nordeste brasileiro. Ele lançou outros dois discos sozinho: ‘‘Santorini Blues’’ (1997) e ‘‘O Som do Sim’’ (2000).
Os outros dois integrantes dos Paralamas têm projeção tímida em carreiras-solo. João Barone (considerado um dos melhores bateristas do País em toda a história da música popular) faz participações em discos, como convidado. O baixista Bi Ribeiro esteve excursionando recentemente com uma banda de reggae.
Segundo assessores do grupo, Herbert Vianna ainda não decidiu sobre o tratamento que fará para tentar reverter a paralisia nas pernas, mas os familiares têm esperanças que, em um ano, ele volte a andar.

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